Saúde

Município vai atuar em Hospital Regional

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, vai fazer parte da comissão técnica designada pelo Governo do Estado para estruturar a gestão do Hospital Regional (HR). A garantia foi dada a ela, ontem, pelo secretário de Estado da Saúde, José Guedes. O secretário garantiu a Eliane e ao prefeito Nilson Costa (PPS) que o Município será ouvido durante o processo de estruturação de atendimento da nova unidade hospitalar, em construção nas imediações do núcleo habitacional Ernesto Geisel.

“Nós vamos ter acesso ao processo. O nosso quinhão está garantido”, comemorou a secretária. Desde que foi anunciado que a Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu vai ser a responsável pela gestão do Hospital Regional, o clima de expectativa tomou conta de Eliane.

Na entrevista que concedeu ao Jornal da Cidade logo após o anúncio de Guedes, ela deixou claro que a Secretaria de Estado da Saúde deveria convidar o Município a expor sua opinião sobre a estrutura de gestão e de atendimento do novo hospital.

“Bauru, como a principal cidade da região onde está inserido o novo hospital, vai garantir as reivindicações de sua população. A Secretaria Municipal de Saúde não poderia ficar abaixo desse processo. Nosso Município tem que ter participação nessa comissão, já que é o maior usuário da região, embora não seja o único. Temos que garantir ao nosso usuário o acesso ao Hospital Regional”, explica.

Especialidades

Na opinião da secretária, o usuário do sistema de saúde terá que ter acesso ao Ambulatório de Especialidades com verbas do Estado. “Com isso, o Município nem precisa estar em plena (municipalização). Estamos em fase de negociação para ver o que se precisa para se fazer mais, fazer melhor o que a gente já faz. Temos que ter a garantia de que nosso usuário vai ter resolutividade.”

Segundo Eliane, os usuários reclamam da desintegração que há no sistema de saúde. “O usuário vai no núcleo, que é do Município, vai no Ambulatório de Especialidades, que é do Estado, e vai no hospital, que é federal. Não há um canal aberto, completamente, do Município estar resolvendo tudo.”

Ela diz que a sua inclusão na comissão que estuda a estruturação de atendimento do novo hospital vai garantir ao Município a “porta aberta” para os acordos. “O paciente aqui na ponta (no núcleo) precisou de alguma coisa (no sistema do Estado), automaticamente terá a retaguarda sem precisar passar por outras instâncias. Essa é uma das principais reclamações dos usuários. E com razão.”

A secretária explica que a comissão do Estado vai receber do Município a lista de sua demanda reprimida de atendimento no sistema.

“Nós temos as nossas dificuldades. Vamos colocar a eles (comissão) o que terá se abrir mais (em atendimento), o que tem de operar mais. Esse know-how o Município tem. A unidade básica vem fazendo um excelente trabalho, o paciente vai chegar no hospital preparado, examinado e diagnosticado. Um bom atendimento no básico, diminui-se o tempo de hospitalização. A idéia é trabalharmos (com o Estado) em parceria técnica.”

Secretário confirma a Unesp na gestão do HR

O secretário de Estado da Saúde, José Guedes, confirmou, ontem, à secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, que a Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu vai mesmo gerir o Hospital Regional (HR).

Segundo Eliane, Guedes argumentou que dos últimos 13 hospitais entregues pelo Governo do Estado, sete estão associados à faculdades de medicina. “A decisão é, realmente, pela Unesp de Botucatu. É uma decisão que cabe a ele. O secretário disse, ainda, que nunca prometeu fazer audiência para discutir o assunto.”

Guedes comentou com a secretária que as gestões dos novos hospitais estão sendo encaminhadas à organizações sociais e não filantrópicas. “Como se trata de uma entidade de ensino, não precisa de audiência nenhuma. Está decidido que a gestão será entregue à Unesp de Botucatu.”

O secretário explicou a Eliane que a Faculdade de Medicina de Botucatu nunca conseguiu desenvolver uma série de programas médicos porque não tinha número suficiente de profissionais e docentes para tocar projetos de maior complexidade.

“Com esse hospital em Bauru, com maior quantidade de médicos na cidade, sendo um projeto regional, ele (Guedes) acha que a unidade vai complementar as coisas que Botucatu não conseguiu até agora fazer, até pelo porte da cidade. O Hospital Regional não será um hospital universitário, como o de Botucatu. Ele terá uma gerência universitária.”

Manutenção da AHB

Guedes confirmou à secretária municipal de Saúde que os hospitais da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) vão continuar sendo mantidos pelo Governo do Estado. “Ele (Guedes) disse que é preciso chegar à conclusão do que funciona bem na AHB, quais são os serviços que estão equipados para mantê-los. Minha preocupação era saber como seria essa divisão de recursos.”

As verbas para a manutenção do HR e dos hospitais da AHB vão sair da mesma fonte: o co-financiamento destinado pelo Estado e pelo Ministério da Saúde. “Será acrescentado recursos. A Divisão Regional de Saúde e a Secretaria de Saúde estão programando um teto financeiro para o HR. É por isso que viemos a São Paulo conversar com o secretário.”

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