Regional

PM descarta tortura e afirma que confissão foi espontânea

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Iaras - O capitão César Augusto Luciano Franco Moreli, comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar de Avaré, reprovou ontem a denúncia de tortura contra policiais de Iaras. Ele disse que as informações do sem-terra Gonçalo Laurindo dos Santos, mais conhecido como Índio, foram passadas de forma espontânea e não “à força”, como alegam seus defensores.

A acusação de tortura foi feita anteontem por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Durante entrevista coletiva, na subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Bauru, eles acusaram policiais civis e militares de terem torturado o sem-terra. Os denunciantes sustentam que Santos teria sido forçado, mediante agressão física e ameaças de morte, a “entregar” companheiros do acampamento Zumbi dos Palmares, em Iaras.

Santos foi preso no último dia 27, depois de ter disparado cinco vezes contra Manoel Alves de Mesquita, outro sem-terra do acampamento.

Para o capitão Moreli, a denúncia de tortura é improcedente e não passa de um “truque” para tentar desqualificar a prisão de seis integrantes do MST.

Depois que foi detido, Santos teria informado à polícia que a morte de Mesquita havia sido encomendada por três líderes do acampamento. Os policiais foram atrás dos supostos mandantes e encontraram com eles e mais dois acampados nove armas de fogo - cinco revólveres, calibre 38, e quatro espingardas.

Santos foi preso por tentativa de homicídio e os demais por porte ilegal de armas e formação de quadrilha. Todos continuam presos na cadeia pública de Piraju.

De acordo com o capitão, a confissão de Santos teria acontecido de forma espontânea. “Quando a polícia chegou (ao acampamento), ele (Santos) decidiu cooperar espontaneamente”, disse o comandante, referindo-se às informações dadas pelo acusado à polícia.

“Não houve nenhuma sessão de tortura ou coisa parecida para que ele pudesse entregar os companheiros”, afirmou o militar. Segundo ele, nesse tipo de ocorrência a polícia sempre toma certos cuidados, que serviriam exatamente para se prevenir de denúncias como a que foi feita anteontem.

“Se a polícia não se resguardasse, (a denúncia) até poderia dar certo. Mas o delegado de plantão fez exame de corpo de delito em todos os detidos e não ficou constatado nenhuma agressão física”, disse o capitão. O delegado citado pelo militar é Georges Zedan Chehade, titular de Manduri. Ele também negou que Santos tivesse sido torturado pela polícia.

“Eu acredito que essa denúncia é uma atitude de desespero para tentar descaracterizar a prisão. É apenas um truque”, comentou Moreli.

Além de Santos, estão presos em Piraju Miguel da Luz Serpa, José Carlos Pio, Daniel Costa de Albuquerque, José Cristiano Pereira e Francisco da Silva. Eles são considerados suspeitos em alguns crimes cometidos recentemente na região, como furto de gado, por exemplo.

De acordo com uma carta aberta à população distribuída por integrantes do MST, as constantes acusações contra os sem-terra seriam “fruto de perseguição política”.

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