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Policial que salvou bebê vive dia de heroína

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Passada a tensão dos momentos em que auxiliou o socorro de um recém-nascido por telefone, resta à sargento Maria Helena da Silva Rodrigues, com 21 anos de Polícia Militar (PM), o reconhecimento pelo trabalho cumprido.

Na tarde de terça-feira, a policial foi personagem de uma história que salvou a vida de um bebê de apenas sete dias de vida. Ela auxiliou, por telefone, a mãe da criança, Jaqueline Maria Fernandes de Souza, a proceder os primeiros socorros já que a criança havia sofrido uma parada cárdio-respiratória.

Na tarde de ontem, em sua residência, Maria Helena recebeu mais de 50 telefonemas de pessoas - conhecidas e desconhecidas - que quiseram parabenizá-la pelo trabalho.

“Esse fato foi muito importante não só para mim. Percebi que as pessoas gostam de ver a polícia fazendo esse tipo de serviço. Parece que elas querem ver coisas boas, já que o que sempre aparece são as coisas ruins”, acredita.

Para a sargento, a facilidade no relacionamento com as pessoas - mais que a intimidade com o trabalho via telefone - foi um aspecto fundamental para o êxito no socorro ao bebê de Jaqueline, na última terça-feira. Ela trabalhou durante 15 anos no policiamento operacional fazendo patrulhamento pelas ruas de São Paulo. Já havia passado, inclusive, por situações semelhantes, em que foi obrigada a intervir em brigas familiares, por exemplo.

“Você acostuma-se a lidar com as pessoas, que só querem ajuda. Estou no Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) há quatro meses e me adaptei bem. Eu não esperava porque estava acostumada com o contato com o público. Mas eu percebi que através do 190 também temos um contato muito grande com as pessoas”, conta.

A grande dificuldade no atendimento por telefone é o nervosismo das pessoas que estão do outro lado da linha, segundo Maria Helena. A atividade requer do policial uma grande dose de controle emocional. “No caso da Jaqueline, ela chorava muito e estava nervosa. Quando ela disse que a criança estava roxa, eu também fiquei muito nervosa, mas não poderia transmitir isso para ela. Então, fui explicando passo a passo como ela deveria proceder e assoprar a boquinha do bebê”, expõe.

Em duas tentativas da respiração, o recém-nascido voltou a respirar e foi socorrido por uma Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros já passando bem.

Primeiros socorros

A primeira tarefa do policial ou bombeiro que atende uma ocorrência em que são necessárias orientações de primeiros socorros via telefone é reconhecer qual é o verdadeiro estado da pessoa acidentada ou com problemas clínicos.

De acordo com o Sargento Joaquim Francisco da Silva Filho, do Corpo de Bombeiros, muitas vezes o nervosismo da pessoa que solicita a Unidade de Resgate torna a ele difícil transmitir o que está acontecendo. “Ele acha que o tempo que ele está perdendo no telefone vai ser fatal para a pessoa. Nós temos que acalmá-lo e tentar conversar com a pessoa”, diz.

As orientações fornecidas por telefone enquanto a Unidade de resgate está a caminho costumam ter êxito, segundo o sargento. Num caso de parada cardio-respiratória, por exemplo, é importante que a pessoa seja reanimada o quanto antes.

Quando estes casos envolvem pessoas adultas, ele explica que, se o paciente não estiver respirando, o queixo dele deve ser levantado para desobstruir as vias respiratórias, o nariz deve ser tapado e o ar deve ser soprado na boa da pessoa a cada cinco segundos, durante um minuto.

Outros casos em que as orientações de primeiros socorros são importantes são queimaduras, fraturas, hemorragias, engasgamentos e picadas de animais venenosos.

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