Tribuna do Leitor

AO CARLOS HENRIQUE MERLI

Nilson Costa
| Tempo de leitura: 3 min

Li com atenção a carta de sua autoria, publicada na edição de domingo (3/2/2002), do JC, e fico feliz de, mais uma vez, constatar que há jovens preocupados com os destinos de Bauru, com ações efetivas e sem quaisquer interesses que não sejam os mais legítimos, isto é, livres de injunções que denotem intenções escusas. Alegro-me - e acredito que esta tenha sido a reação dos demais leitores - com as suas colocações bem-intencionadas sobre o Município e com as suas confissões de que o Lar, a Escola e a filosofia à qual se dedica se constituem no trinômio de formação de sua vida, seu caráter, enfim te completam como cidadão.

Quanto às suas sugestões, em grande parte direcionadas à recuperação do sistema ferroviário em nossa região, devo esclarecer que essa área foge da alçada municipal. Tenho que confessar, mormente na condição de ex-ferroviário da NOB, que os seus lamentos com relação à situação em que deixaram a ferrovia no Brasil, e em nossa região, também são idênticos aos meus.

Além de ficar distantes do âmbito municipal, as questões da ferrovia, somente os governos estadual e federal - além de grandes empresários - têm condições de transformar em realidade aquilo que para nós é um sonho. Há poucos anos, aqui em Bauru, durante uma campanha eleitoral, convenceu-se o Governo do Estado a reativar a Coreinha, isto é, o trenzinho que circulava dentro do município, da Estação Central à Vila Dutra (Curuçá) mas desta vez ligando o núcleo Otávio Rasi ao Centro da Cidade. Circulou poucos meses. Com ônibus de poucos em poucos minutos para o Centro, os usuários não se dispunham a esperar o trem durantes horas.

Mas, apesar de a Ferroban e a Novoeste terem desativado o transporte de passageiros há alguns anos, recentemente, junto com outros prefeitos do trecho Bauru-Araçatuba, assinei um pedido para que os carros de passageiros voltem a circular entre Bauru e aquela cidade. A sustentação financeira para colocar em execução esse projeto viria de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Quanto à colaboração das universidades, dos professores, devo dizer que em meu governo tenho reconhecido muito o trabalho desses valiosos mestres, o que pode ser provado em inúmeras ações de nossa administração.

Recentemente, uniram-se a nós a ITE (Instituição Toledo de Ensino) e a USC (Universidade do Sagrado Coração) para o funcionamento do NAF (Núcleo de Apoio Familiar). O Programa Sorria, Bauru, que cuida da saúde dental de muitas milhares de crianças em nossas escolas, só foi possível graças às Faculdades de Odontologia da USC, USP e Unip. Quando tentamos viabilizar a mudança da Prefeitura para o prédio da antiga Estação, foi a professores da Faculdade de Arquitetura da Unesp que solicitamos os estudos para as reformas necessárias. Também já há um bom tempo que o prof. Nariaqui Cavaguti tem colaborado com a nossa administração no que diz respeito à problemática das águas pluviais, erosões etc. Vários conselhos da Prefeitura como Comdurb, Comdema e Codepac contam com professores das universidades entre os seus integrantes.

Portanto, meu caro Carlos Henrique, temos sim usado - e muito - a inteligência desses mestres que marcham conosco buscando soluções para os problemas de Bauru. Mesmo assim, com suas sugestões, reforçamos a crença de que estamos no caminho certo. Sem mais, queira aceitar meus cumprimentos e o meu abraço. (Nilson Costa - Prefeito Municipal)

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