Saúde

Educação é essencial no combate

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

É preciso prevenir a dengue sempre durante todo o ano. Tanto a Secretaria Municipal de Saúde como o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru pregam que as pessoas devem fazer um trabalho contínuo de combate aos criadouros do mosquito da dengue, o Aedes aegypti. O problema é que, segundo a secretária da Saúde, Eliane Fetter Teles Nunes, as pessoas ainda não têm conscientização em relação ao problema.

Eliane explicou que é uma questão de educação. As campanhas existem. A imprensa e todos os meios de comunicação falam o tempo todo sobre a dengue. Explicam como a doença pode ser contraída, o que são os criadouros, mas as pessoas estão muito acomodadas e não percebem o mal que isso pode causar para uma população, então ficam paradas esperando os agentes sanitários para fazer um trabalho que poderia ser feito pelos moradores. “Eu afirmo que a diminuição no surgimento de casos de dengue pode ser alcançada com o trabalho de cada um de nós. Se todas as pessoas cuidassem o ano todo para que os ovos e as larvas fossem eliminados, não teríamos tantos casos novos da doença”, disse.

A secretária enfatiza que o município faz sua parte com um trabalho contínuo, durante todo o ano. “Nossos agentes sempre estão visitando as residências, nós participamos de palestras, fazemos gincanas em escolas, mas precisamos também da colaboração da população”, afirmou.

A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru, Maria Helena Abreu e o coordenador do programa de controle do Aedes, Flávio Tadeu Salvador, concordam que cada pessoa deve ser fiscal de sua casa para colaborar no trabalho de erradicação do mosquito.

Salvador contou que de 50% a 60% das casas visitadas diariamente pelos 62 agentes contratados pelo DSC possuem larvas do mosquito Aedes. Atualmente, de acordo com Salvador, há quatro focos importantes de transmissão em Bauru que são os bairros: Gasparini, Geisel, Roosevelt e José Regino. “Nesses locais há mosquitos contaminados e o que dificulta o trabalho é que são focos distantes um do outro”, disse.

Maria Helena disse que enquanto cada pessoa não se conscientizar que a responsabilidade é dela de manter sua casa sem criadouro, o trabalho continua sendo difícil. “Enquanto a pessoa não tem um caso de doente na família, ela não se convence de que a dengue existe e deve ser evitada”, afirmou. A diretora do DSC lembrou que mesmo a dengue clássica pode ser perigosa para pessoas que têm doença de base, como diabetes, por exemplo. Pode ter agravamentos também nas pessoas que tomam AAS, nos idosos, nas crianças muito pequenas. “Além dos transtornos causados pela doença, também há complicações no cotidiano da pessoa que tem que deixar de trabalhar”, disse.

Maria Helena disse que o trabalho do DSC é contínuo, durante todo o ano. “Nosso trabalho de rotina é enfatizado na educação preventiva. Os agentes são divididos por setores e vão nas casas dar orientações sobre os criadouros.

Criadouros

Salvador disse que durante muito tempo nas campanhas, sempre se falava sobre o prato do vaso, a caixa d’água e pneu. Esses criadouros continuam, mas o mosquito não ficou preso só nesses locais e quando as pessoas cobrem as caixas d’água, retiram os pratos dos vasos e cobrem os pneus, o inseto cria medidas alternativas de postura de seus ovos.

Por esse motivo, Salvador orienta as pessoas que não basta não ter plantas em casa e manter a caixa d’água coberta, é preciso fazer uma “operação pente fino”. “Tem que verificar a calha, os ralos, piscinas sem uso, aquários, lajes...”, explicou.

Um outro erro, de acordo com ele, está relacionado à nebulização. “A única arma que tínhamos era o caminhão de fumacê nas ruas. Quando a pessoa escutava o caminhão, fechava tudo e se trancava dentro de casa. Então, a eficácia não era grande”, afirmou.

Atualmente, o veneno é aplicado somente nas proximidades do local onde se confirma um caso de dengue. A Sucen vai nas residências vizinhas e faz a nebulização. O problema, de acordo com Salvador, é que ainda há resistência por parte das pessoas que, muitas vezes, não querem deixar o técnico entrar em suas casas para realizar este trabalho. “Se a pessoa não permitir a entrada do agente para jogar o veneno, estará tornando sua família vulnerável à doença”, explicou.

Maneiras alternativas que, na dúvida, é melhor fazer

Complexo B - Altera a composição do suor e pode ajudar a afastar o mosquito. Mas há controvérsias entre os médicos sobre seu uso. Abre o apetite e pode engordar.

Homeopatia - Também ajuda a combater os sintomas, como febre e dores pelo corpo.Mas não há comprovação de um medicamento que ataque diretamente a doença.

Borra de café - Uma bióloga paulista diz que uma colher de chá de borra de café nos pratinhos dos vasos de planta evita que as larvas se desenvolvam. Mas os epidemiologistas são céticos sobre sua eficácia.

Água sanitária - Botânicos dizem que borrifar uma colher de chá de água sanitária por litro de água nas plantas evita o aparecimento de focos do mosquito. Alguns epidemiologistas não concordam.

Fumo de rolo - Também não tem sua eficácia comprovada para evitar os focos do mosquito. Mas pode ser uma alternativa.

Velas - As de andiroba e as de citronela são indicadas para afastar os mosquitos. Defensores do método recomendam seu uso em ambientes fechados porque o mosquito transmissor da dengue não gosta de cheiro forte. Mas não há comprovação científica da eficácia das velas.

Sem ajuda

A Câmara Municipal de Bauru vetou um projeto de lei que foi encaminhado por Maria Helena e a secretária Eliane, para mudar o sistema de contratação dos agentes do DSC. O sistema atual, de acordo com a diretora Maria Helena, dificulta o trabalho de combate à dengue.

Ela explicou que desde que se iniciou o combate à dengue, em 1998, houve o repasse de recursos do Governo Federal que incluía a contratação de funcionários em regime temporário. “Na época, conseguiu-se o parecer do jurídico para contratar o funcionário por um ano, renovado por mais um ano, como manda a CLT”, disse.

A partir de abril de 2000, de acordo com ela, esse repasse mudou. O recurso, cerca de R$ 650 mil por ano, passou a ser direto do Fundo Nacional para o Fundo Municipal de Saúde e incluía outras ações de combate à outras doenças transmissíveis. “Nessa ocasião, nós mandamos de novo uma consulta para o jurídico para manter a contratação dos agentes em regime temporário. O jurídico encontrou uma justificativa legal e incluiu essa contratação em campanhas de saúde pública, mas nesse contexto, a contratação só pode ser por seis meses, renovável por mais seis meses, de acordo com a atual lei municipal. Então, quando o funcionário está treinado e apto para realizar um bom trabalho, acaba o contrato dele. Isso atrapalha muito nosso trabalho”, explicou.

Para melhorar essa situação, no final do ano passado, Maria Helena enviou um projeto de lei para a Câmara Municipal de Bauru, justificando os motivos pelo qual a contratação de um ano é muito mais viável. “Para a nossa surpresa, a Câmara rejeitou o projeto. O documento, então, voltou para o jurídico, que fez uma nova justificativa e mandou de volta para a Câmara”, afirmou.

Ela disse que o DSC já enfrenta muitas dificuldades e essa está sendo mais uma. “Nós fornecemos toda a justificativa técnica, embasada nas leis e a Câmara ao invés de nos ajudar, está atrapalhando. Estamos muito apreensivos em relação a isso. Precisamos da ajuda da Câmara para amparar essa lei”, afirmou.

Maria Helena vai além e diz que está fazendo um apelo aos vereadores para que aprovem esse projeto de lei.

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