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Seicho-no-iê comemora 72 anos no País

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

A data oficial já passou - 1 de março -, mas milhares de seguidores da Seicho-no-iê comemoram apenas hoje os mais de 70 anos de atividades do movimento no Brasil.

Criada por Masaharu Taniguchi, a Seicho-no-iê chegou ao Brasil em 1930 com os imigrantes japoneses. Mas foi somente depois da década de 50 que começou a tomar maior impulso no País .

Bauru é sede de uma das unidades regionais da Seicho-no-iê, que abrange 46 cidades e cerca de 5 mil praticantes. Mas apesar de possuir um número considerável de fiéis, a instituição e suas atividades desenvolvidas ainda são desconhecidas por muitos.

A supervisora administrativa doutrinária da Seicho-no-iê/Bauru, Marina Eunice de Oliveira Tibúrcio, esclarece que o movimento não deve ser entendido como uma religião tradicional, e sim como uma filosofia de vida. Ela explica que, acima de tudo, a Seicho-no-iê é democrática e respeita outras religiões. Por essa razão, aceita a participação de pessoas ligadas aos mais diversos credos. “Ela não é uma igreja, mas transcede todo sectarismo religioso. Estamos de braços abertos para qualquer pessoa, de qualquer religião, raça ou idade, que queira participar de nossas atividades”, afirma Marina.

Segundo a supervisora, apesar de não ser uma religião, a Seicho-no-iê é encarada como uma por seus fiéis. “Ela torna-se uma religião para nós porque sua base doutrinária é formada no agradecimento, perdão e na prática do amor. Isso é o que a humanidade está precisando”, considera ela.

Marina destaca que a Seicho-no-iê, que significa Lar do Progredir Infinito, defende que as pessoas nascem para evoluir e não para regredir. Por isso, conforme a supervisora, uma das normas fundamentais do movimento é “avançar crendo sempre na vitória infalível”. “Temos capacidade para avançar sem precisar se preocupar com o que está acontecendo ao nosso redor.”

Marina enfatiza, ainda, que a auto-reflexão também é exercitada na Seicho-no-iê. Nesse sentido, a filosofia do movimento ensina que o sentimento de culpa não é positivo. “Não devemos nos auto-punir porque é pior. Quanto mais pessoas aprenderem que elas são donas do seu destino e podem melhorar sua vida sem ficar dependendo só dos outros, melhor”, diz ela.

A Seicho-no-iê promove reuniões periódicas direcionadas para as mais variadas faixas etárias, incluindo crianças, jovens, homens e mulheres. Há também a realização de palestras mensais voltadas a educadores e outras com a participação de um preletor convidado de algum segmento da sociedade. “Embora não sejamos uma religião, temos algumas práticas do gênero, como o culto aos antepassados, a purificação da mente e as orações mútuas”, acrescenta Marina.

Ela rechaça as críticas de que a Seicho-no-iê idolatra os antepassados. “Não fazemos isso. Temos um sentimento de amor e gratidão a eles, pois foi graças a eles que nascemos”, frisa a supervisora.

Deus e do sofrimento

Marina explica que os seguidores da Seicho-no-iê acreditam em Deus e possuem uma visão diferenciada do sofrimento pessoal. “Deus está sempre nos dando força e retaguarda e entendemos que somos centelhas dele. Por isso, a filosofia do movimento preceitua que o pecado não existe no mundo que Deus criou. Se ele nos criou à sua imagem e perfeição, os fatos negativos que acontecem pertencem ao mundo fenomênico”, salienta ela. E complementa: â€œÉ a mente do homem que cria as situações negativas”.

Já o sofrimento é visto como uma oportunidade de crescimento pessoal e espiritual. “Não é ser masoquista. Apenas encaramos que de alguma maneira estamos nos purificando. Se sofro é porque algum dia ou em algum lugar provoquei sentimento semelhante em alguém. É a lei da causa e efeito. Acreditamos que viemos ao mundo para resgatar esse sofrimento e, quando adotamos essa postura, não blasfemamos ou xingamos Deus e nem as pessoas que nos rodeiam”, conclui Marina.

História do movimento

O movimento Seicho-no-iê foi iniciado por Masaharu Taniguchi, nascido em 22 de novembro de 1893, em Kobe, no Japão.

Alimentando idéias pessimistas sobre a vida, Taniguchi procurava uma explicação lógica do mundo e do homem. Diante disso, entregou-se ao estudo teórico e prático das ciências psíquicas que exerciam atração sobre ele e nas quais depositava a confiança de que poderiam salvar espiritualmente o homem e a sociedade.

Taniguchi descobriu uma sutra budista (daizokio), tirando dela o ensinamento fundamental: “Não existe matéria, como não existem doenças: quem criou tudo isso foi o coração. Segue-se disso que a doença pode ser curada com o coração”. Este conceito tornou-se fundamental na Seicho-no-iê.

Para Taniguchi, as pessoas não precisavam de uma religião que lhes incutisse o medo, mas que trouxesse uma salvação amigável. Ao receber uma revelação divina (shinsa), estabeleceu: “Não existe matéria, mas existe a realidade” (jissô) - ensino básico do Seicho-no-iê.

Taniguchi escreveu, ainda, uma obra de 40 volumes chamada “Simei no Jissô” (Verdade da Vida), considerado livro básico do movimento.

Tendo início em 1930 como simples movimento filosófico psicológico e cultural para propagar certas verdades, o Seicho-no-iê foi adquirindo aos poucos a conotação de religião. Na década de 1940 o movimento foi registrado como religião pelo governo japonês. É a mais eclética de todas as novas religiões, misturando cristianismo, xintoísmo e o budismo, com psicologia, filosofia, medicina e literatura moderna.

No Brasil, a Seicho-no-iê chegou em 1930 com os imigrantes japoneses. Mas foi somente depois de 1951 que começou a tomar maior impulso, quando as obras de Taniguchi começaram a ser publicadas em português.

No dia l0 de agosto de 1952, autorizada pela Sede Internacional da Seicho-no-iê, no Japão, foi instituída a Sociedade Religiosa Seicho-no-iê no Brasil, hoje Igreja Seicho-no-iê. Está espalhada principalmente pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco.

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