Cultura

Competição gera artesãos "profissionais"

Fabiano Alcântara
| Tempo de leitura: 2 min

Problemas econômicos, especialmente o desemprego, estão levando pessoas a procurar uma renda alternativa no artesanato para complementar o ganho familiar.

O crescimento da atividade, que pode ser comprovado com o aparecimento de novas feiras em Bauru, como a Ubá, da Secretaria de Cultura, e a do Mão Caipira, faz com que os novos artesãos comecem a se familiarizar com palavras como concorrência e qualidade.

A profissionalização passa por cursos de especialização, análises de mercado e organização. Para Rosemary de Andrade dos Santos, chefe do Centro de Atividades Sociais do Serviço Social da Indústria (Sesi-Bauru), com o aumento do desemprego, os artesãos estão se organizando mais em torno de feiras e associações.

“Aqui no Sesi, nosso maior objetivo nos cursos de artesanato é despertar o interesse na pessoa para que ela gere ou complemente a sua renda familiar”, afirma Rosemary.

“Algumas pessoas nos procuram para espairecer aprendendo uma atividade, mas no meio do caminho visualizam um mercado de trabalho”, completa.

Rosemary avalia que para competir no mercado de artesanato os custos devem ser baixos e a margem de lucro também.

Preocupada em melhorar a renda da família, a costureira Aurora Inácia da Silva, 53 anos, passou a estudar pintura em seda no Sesi para aliar as duas atividades. “As pessoas querem novidades”, aposta.

Já a pensionista Antônia Lopes Pereira, 64 anos, começou a estudar artesanato para ter uma ocupação e já começa a pensar nas vendas. “Ainda estou aprendendo, mas se aparecer comprador a gente vende”, entusiasma-se.

Na mesma turma da pintura em seda, a psicóloga Jussara Soriano Cozza, 30 anos, desenvolve atividades artesanais por hobby, mas acha que pode agregar os conhecimentos aprendidos com a psicologia.

“Comecei buscando uma ocupação terapêutica. Acho que tudo que a gente aprende é interessante, alguma coisa levamos para a vida”, opina.

Arte e artesanato

Secretária institucional do Mão Caipira, a artesã Rosely Pereira acredita que o artesanato deveria ter status de arte. “São peças únicas. Não podem chegar a ser produzidas em um processo industrial”, teoriza.

Para Rosely, que atribui o crescimento do artesanato ao desemprego, quem busca a prática apenas como geração de renda e esquece o caráter de preservação da cultura pode não conseguir vender e se desiludir facilmente.

â€œÉ preciso muita persistência. Ao meu ver, o artesanato é aquele saber que não precisa de escola. É uma cultura passada de pai para filho, de pessoa para pessoa. Algumas técnicas só são desenvolvidas com a vivência”, defende.

Mesmo preocupada com a parte cultural da atividade, para Rosely a qualidade das peças e o acabamento são fundamentais. “O artesanato mal feito depõe contra a prática.”

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