Problemas econômicos, especialmente o desemprego, estão levando pessoas a procurar uma renda alternativa no artesanato para complementar o ganho familiar.
O crescimento da atividade, que pode ser comprovado com o aparecimento de novas feiras em Bauru, como a Ubá, da Secretaria de Cultura, e a do Mão Caipira, faz com que os novos artesãos comecem a se familiarizar com palavras como concorrência e qualidade.
A profissionalização passa por cursos de especialização, análises de mercado e organização. Para Rosemary de Andrade dos Santos, chefe do Centro de Atividades Sociais do Serviço Social da Indústria (Sesi-Bauru), com o aumento do desemprego, os artesãos estão se organizando mais em torno de feiras e associações.
“Aqui no Sesi, nosso maior objetivo nos cursos de artesanato é despertar o interesse na pessoa para que ela gere ou complemente a sua renda familiarâ€, afirma Rosemary.
“Algumas pessoas nos procuram para espairecer aprendendo uma atividade, mas no meio do caminho visualizam um mercado de trabalhoâ€, completa.
Rosemary avalia que para competir no mercado de artesanato os custos devem ser baixos e a margem de lucro também.
Preocupada em melhorar a renda da família, a costureira Aurora Inácia da Silva, 53 anos, passou a estudar pintura em seda no Sesi para aliar as duas atividades. “As pessoas querem novidadesâ€, aposta.
Já a pensionista Antônia Lopes Pereira, 64 anos, começou a estudar artesanato para ter uma ocupação e já começa a pensar nas vendas. “Ainda estou aprendendo, mas se aparecer comprador a gente vendeâ€, entusiasma-se.
Na mesma turma da pintura em seda, a psicóloga Jussara Soriano Cozza, 30 anos, desenvolve atividades artesanais por hobby, mas acha que pode agregar os conhecimentos aprendidos com a psicologia.
“Comecei buscando uma ocupação terapêutica. Acho que tudo que a gente aprende é interessante, alguma coisa levamos para a vidaâ€, opina.
Arte e artesanato
Secretária institucional do Mão Caipira, a artesã Rosely Pereira acredita que o artesanato deveria ter status de arte. “São peças únicas. Não podem chegar a ser produzidas em um processo industrialâ€, teoriza.
Para Rosely, que atribui o crescimento do artesanato ao desemprego, quem busca a prática apenas como geração de renda e esquece o caráter de preservação da cultura pode não conseguir vender e se desiludir facilmente.
â€œÉ preciso muita persistência. Ao meu ver, o artesanato é aquele saber que não precisa de escola. É uma cultura passada de pai para filho, de pessoa para pessoa. Algumas técnicas só são desenvolvidas com a vivênciaâ€, defende.
Mesmo preocupada com a parte cultural da atividade, para Rosely a qualidade das peças e o acabamento são fundamentais. “O artesanato mal feito depõe contra a prática.â€