Bairros

Manchester já vê luz no fim do túnel

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A Prefeitura Municipal de Bauru prometeu, esta semana, que vai arcar com os custos de implantação de energia elétrica no Parque Industrial Manchester. O bairro é, atualmente, o ponto mais crítico de Bauru quando o assunto é iluminação. São cerca de 100 famílias vivendo sem energia dentro ou fora de casa. A única infra-estrutura existente é o abastecimento de água tratada. Não existe luz, rede de esgoto ou asfalto.

De acordo com o assessor de Gabinete da Prefeitura Municipal, Braz Melero, o problema é que o loteamento do local foi aprovado em 1966, quando a legislação não obrigava o loteador a fazer as benfeitorias. Quando a ocupação dos terrenos começou, no final da década de 80, ninguém se achava na obrigação de implantar a infra-estrutura e iniciou-se uma longa pendência.

“O prefeito Nilson Costa (PPS) assumiu uma Prefeitura que não tinha recursos para fazer o serviço. Ele tentou negociar com a incorporadora que vendia os lotes de modo que esta levasse energia ao bairro em troca de abatimento nos impostos devidos há vários anos. Eles concordaram, mas nunca cumpriram a promessa. Agora, o prefeito resolveu assumir o compromisso e vai custear a obra”, afirma Melero.

Segundo ele, o Poder Executivo já solicitou orçamento para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). A empresa tem 15 dias para mandar a resposta. A Prefeitura tem mais 30 dias para pagar o serviço e, a partir do pagamento, a obra tem que ser iniciada em 15 dias. O custo estimado para a implantação da energia nas ruas urbanizadas do bairro é de aproximadamente R$ 110 mil.

Melero salienta que a Administração Municipal atual só aprova loteamentos que tenham infra-estrutura completa: ligações de água, esgoto, galerias, guias, asfalto, rede de energia elétrica domiciliar e iluminação pública.

“Alguns loteamentos já foram aprovados recentemente com este perfil, como o Villagio (próximo ao condomínio Paineiras), Villagio Campo Limpo (próximo à Unip), Jardim Lago do Sul (saída para Ipaussu), Jardim Helena (entre Núcleo Gasparini e Vila São Paulo), Residencial Filard e Jardim Pinheirinho (próximos à Vila Dutra)”, ressalta.

Sem energia

Enquanto isso, os moradores do Parque Industrial Manchester continuam na dependência de baterias e lampiões. Quem tem eletrodomésticos foi obrigado a encaixotá-los ou mantê-los como peças decorativas. O banho é frio e a conservação de alimentos é impossível.

“Nosso maior problema é com a comida, porque não temos como ligar a geladeira. Quando a gente compra carne, tem que consumir correndo para não perder. Tem que comprar tudo de pouquinho. Leite, só longa vida. Mesmo legumes, no calor, estragam sem refrigeração”, observa a presidente da associação de moradores, Cláudia dos Santos Tavares.

Sobre a rede de esgoto, ela explica que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) já passou a rede pelo bairro, mas as ligações não podem ser feitas. “Eles têm que perfurar o asfalto da rodovia para ligar nossa rede ao Tangarás e a concessionária não autoriza a quebra. A gente continua usando fossa”, afirma.

Tavares salienta que a falta de luz torna o bairro um ponto perigoso e que todos sentem medo de sair de casa à noite. “Mas temos os adolescentes que estudam e chegam em casa às 23 horas. Conquistamos um ônibus escolar para eles há pouco tempo, mas, mesmo assim, fica muito difícil”, conclui.

Se todos os prazos forem seguidos, o bairro deverá receber energia elétrica nos próximos dois a três meses.

Postes iluminam árvores

Além da baixa potência das lâmpadas, a iluminação das ruas em Bauru concorre diretamente com as árvores. Em muitos lugares, as árvores têm tamanho médio e as copas se abrem abaixo da cabeça das luminárias. Ou seja, a lâmpada ilumina as folhas, mas as ruas permanecem na sombra.

Um exemplo desta situação é o Núcleo Gasparini (foto), onde as ruas parecem túneis sob a arborização. A dona de casa Maria das Graças Lopes Bellin, 40 anos, diz que escuridão apavora os moradores, que preferem não sair à noite.

“Eu, por exemplo, nunca saio sozinha. Estou sempre com um filho ou alguém. Se precisasse sair sozinha, não sairia, porque tenho medo. Moro aqui há uns 17 anos, nunca ouvi falar de assalto ou coisa parecida, mas a gente se previne”, reitora.

Para o engenheiro José Angelo Cagnon, deveria haver uma periodicidade regular de corte e poda das árvores, além de uma orientação aos moradores para que não plantassem nada sob os postes.

O gerente de serviço de campo da CPFL, Wilson Maldonado, explica que a arborização é atribuição municipal e que a companhia só efetua a poda quando os galhos ameaçam tocar a rede, com risco de interrupção do abastecimento de energia. “Mas algumas árvores são muito frondosas e isso é um problema, realmente”, completa.

O assessor de Gabinete da Prefeitura, Braz Melero, diz que, em muitos casos, a CPFL deveria redirecionar a luminária para “fugir” dos galhos, mas não o faz.

Sem um consenso entre Município e concessionária e impedidos de podar as árvores pela legislação ambiental, os munícipes permanecem no escuro, correndo risco de ser abordados por um ladrão escondido ou mesmo de cair num buraco - coisa comum na cidade não só nas ruas, mas também nas calçadas.

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