Polícia

"Fora-da-escola" se reúnem em frente a Ayrton Busch

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Entre 15 e 30 adolescentes que abandonaram os estudos costumam reunir-se em frente à escola estadual Ayrton Busch quase diariamente nos horários de entrada, intervalo ou saída dos alunos, segundo a Polícia Militar. Juntam-se ao grupo alguns alunos da escola, que não entram para as aulas, segundo o soldado Renato, da Base Comunitária Noroeste.

São nesses grupos que têm sido registrados agressões e até mortes. Na semana passada, um adolescente de 17 anos foi esfasqueado em frente à escola Stela Machado, na Vila Falcão. Nem ele nem o agressor são estudantes da escola. Anteontem à noite houve uma briga em frente à escola Ayrton Busch, na qual E.C.C. estaria envolvido.

Ontem, E.C.C. foi morto em frente à escola minutos depois da entrada dos alunos do período vespertino. A diretora da unidade, que quis identificar-se, frisa que a vítima e nem os acusados do crime são alunos da Ayrton Busch. Há 15 dias apenas no cargo, ela diz que dentro da escola não tem havido agressões, mas devido as ocorrências externas ontem mesmo solicitou à Polícia Militar policiamento fixo para a escola.

O tenente Renato Ramos, comandante interino da 3.ª Cia, acha que colocar um policial fixo em frente à escola não resolve o problema de violência. Ele lembra que, há alguns anos, houve um homicídio dentro de uma escola de Bauru com o policial na porta. O tenente ressalta que a Ayrton Busch já conta com ronda escolar (a viatura da PM passa em frente à escola nos horários considerados mais críticos) e é ponto de estacionamento das viaturas da PM.

Além disso, frisa, a PM desenvolve na escola o Projeto Jovens Contra o Crime e o Programa de Educação e Resistência às Drogas (Proerd), para combater a violência e as drogas. Ramos lembra que a Ayrton Busch fica num ponto de encontro do bairro, o que contribui para que muitos adolescentes fiquem em frente ao prédio.

O tenente também ressalta que próximo à escola estão localizados vários bares, o que contribui para a concentração de pessoas na região, aumentando as possibilidades de brigas e crimes. Na opinião de Ramos, o problema da violência entre jovens no Jaraguá está ligado à desigualdade econômica e social, desestrutura familiar, desemprego falta de acesso à educação, à cultura e ao lazer.

Ontem, conta o comandante interino da 3.ª Cia, havia várias viaturas da PM no Parque Jaraguá fazendo uma outra operação (leia mais na pág. 9) e mesmo assim não evitou o crime. A violência no bairro, que inclui a morte de E.C.C. em frente à escola, deve ser um dos assuntos a ser discutido na próxima reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) das Bases Noroeste e Oeste. A reunião está marcada para às 19h30 do próximo dia 19, na Diretoria de Ensino, que fica na Vila Falcão.

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