Política

DAE tenta justificar demora de 73 dias

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A direção do Departamento de Água e Esgoto (DAE) defendeu, ontem, em entrevista coletiva, a demora de 73 dias ocorrida entre a entrega do poço Roosevelt II e o pedido de ligação de energia elétrica no local feito junto à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em 1999. O presidente do DAE, Sérgio Macedo, argumenta que o cronograma da obra incluiu a aquisição de equipamentos e a aprovação do projeto para a instalação da energia elétrica. A autarquia confirma que o poço foi entregue pela empresa Hidrogeo em 9 de junho de 1999.

Sérgio Macedo reclamou da veiculação da informação sobre a demora na colocação do poço em funcionamento na semana em que vai ocorrer a votação do relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. A comissão de vereadores investiga o tema, entre outros. “O pedido de instalação de energia só pode ser feito depois de efetuados os testes do poço, ou seja, baseados na vazão, nível estático e dinâmico, para definir a potência a ser instalada”, diz.

Com isso, Macedo considera normal o prazo entre a entrega da obra (08/06/99) e sua relação com o pedido feito à CPFL para que a ligação fosse efetuada (20/08/99). A autarquia insere, neste calendário, outras providências para justificar o que ocorreu. “O DAE contratou o projeto para a instalação de energia no poço. A cotação de preços foi feita entre 31 de maio e 11 de junho. O projeto foi entregue à CPFL e aprovado em 6 de julho. Então nós iniciamos a compra de equipamentos eletro-mecânicos no dia seguinte”, fala.

O diretor de Divisão do DAE, Wilson Dyonísio, também justifica a necessidade de adquirir equipamentos depois que o poço é entregue testado. “Nós seguimos um calendário técnico. Eu também consultei a CPFL por telefone sobre a ligação da energia. Depois que o DAE tinha os equipamentos adquiridos e a aprovação do projeto foi enviado o ofício à CPFL”, comenta.

As datas e a obra

O presidente do DAE classificou o questionamento sobre a demora no prazo como tentativa de levantar fato antigo. Mas a informação sobre a data de ligação da energia no poço (27/08/99) só foi enviada à Câmara pela CPFL anteontem. A companhia não atendeu à solicitação da CEI. O dado só chegou aos vereadores por interferência do Ministério Público (MP). O promotor Fernando Masseli Helene exigiu a providência da CPFL. Depois, Masseli repassou o ofício à Câmara.

O DAE verifica que o ofício da diretoria, assinado por Dionísio, é datado de 20 de agosto, exatamente 73 dias após a entrega do poço. Mas a autarquia justifica a necessidade de adquirir informações e projeto para que o prazo seja considerado dentro do esperado. A autarquia alega também que a CPFL só aprovou este projeto, que custou R$ 1.300,00, em 6 de julho de 1999. Contudo, mesmo que esta data fosse considerada, o DAE permaneceria 45 dias sem solicitar a ligação de energia à companhia.

O gerente de contas de Poder Público da CPFL, Marcos Mielo, reforça que a ligação de alta tensão depende de projeto e que o interessado tem que efetuar o pedido de instalação após a aprovação. “O DAE elaborou o projeto com o memorial descritivo e protocolou isso na CPFL em 24 de junho de 1999. A CPFL aprovou o projeto. Cabe ao DAE colocar o poste e demais obras e solicitar o pedido de ligação. Isso tem que ser feito na sequência, após a aprovação do projeto. Isso é responsabilidade do solicitante. O ofício do DAE pedindo a ligação que existe é de 20 de agosto e nós fizemos isso em 7 dias”, resume.

A informação levantada pelo JC provocou reação em vereadores na Câmara Municipal, inclusive no líder do prefeito, vereador Milton Dota Jr. (PTB) .

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