Essas minhas férias têm algo de muito especial, pois foi a primeira vez que saí com vontade de chegar até o destino, e também fiquei muito feliz com o retorno, coisa não muito rara nas minhas outras viagens, afinal, sempre pensava na falta de mais alguns dias, e depois dessa experiência sou o primeiro a defender de pés juntos e cabeça consciente: todo ser humano dessa nossa sociedade louca é merecedor de ao menos uma vez por ano passar 1 mês fora do seu habitat natural, isso porque, primeiro, é muito bom descansar sem a pressão de voltar e ver outro no seu lugar; segundo, conhecer novas pessoas, e isso é como ler todos os livros que você tanto gostaria, mas sempre diz: “um dia eu leioâ€; terceiro, férias não deve ser visto como obrigação, mas natural.
Num certo momento, pensei estar numa novela, e vou explicar o porquê.
O lugar onde fiquei nem é tão falado assim, ou pelo menos no meu mundo, e esse paraíso se chama Juquehy, litoral Norte, um lugar maravilhoso, praia limpa, gente bonita, sem prédios poluindo a paisagem e muito verde para respirar ar puro, por isso com certeza também muita gente de São Paulo, só um detalhe, tudo muito caro, só para se ter uma idéia, um salgado em uma lanchonete R$ 4,00 cada, perdi até a fome mesmo sendo minha prima quem iria pagá-lo.
Outros e os mais importantes pontos da viagem ficam reservados às pessoas que conheci e em particular; mesmo em férias pude praticar muito o meu lado filósofo (que pretensão, não?!), ou seja, o que eu mais fiz nesses trinta dias foi dialogar com as pessoas, cada um com algo de novo para mim. Começo falando de Marta (prima), conversamos muito sobre a questão gente x sentimentos, foram intermináveis conversas e o mar de testemunha; outro foi um xará, quase sobrinho do Sílvio Santos, ele bastante crítico, bem diferente de outros riquinhos que já havia conhecido (namorado da filha da prima); teve também o Gabi, filho do dono do condomínio em que eu estava, estudante de Economia, R$ 1.100,00 mês e como primeiro material didático um notebook, vejam só! Alessandra, uma loira muito bonita e bastante inteligente, muito boa de papo, falou sobre seu tempo de trabalho com a Valéria Zopello, aquela lá! Agui e sua família o da mansão de piscina em L redondo, e da GE, mas muita gente boa e simples, e agora para encurtar o mais interessante, outro xará, Angelo, amigo do finado Raul Seixas, imagina só, fiquei perturbando ele por muitas horas, até que eu pudesse saber tudo que queria, e fora mais todo mundo que conheci, mas a minha razão de estar relatando tudo isso foi por algo que pude concluir.
Vou começar pelo cozinheirinho (Caio, amigo), e como ele me classificou um filosofinho e o resto não precisa, de todos que conheci, economicamente eu era o menos preparado, mas percebi o quanto eles fixavam seus olhares em mim quando eu falava, coisas sobre a vida, as pessoas, o mundo, etc... Acho que nunca passei tanto tempo falando sobre esses assuntos, nem mesmo quando estou trabalhando, e com pessoas tão diferentes. Nesse momento me lembrei de Sócrates, falando sem nada cobrar, simplesmente pelo amor à sabedoria, não que não tenha aprendido nada, pelo contrário, mas vi quanto o dinheiro ainda tem a aprender e nesse ponto não me senti nem menos nem mais que ninguém, e penso eu que se a burguesia quer ser feliz, ela jamais poderá se esquecer de saber ouvir, independente da origem (e tudo isso foi grátis). (Angelo Ricardo de A. Guarnieri - RG: 28.581.135-6)