Mulher

Como tudo começou

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Diz a lenda que o Dia Internacional da Mulher foi criado em homenagem a um grupo de operárias norte-americanas, que teriam sido mortas em 1857, em um incêndio que aconteceu na fábrica onde trabalhavam. O incêndio teria sido criminoso, provocado pela direção da fábrica, para coibir uma greve feita por elas reivindicando melhores condições de trabalho.

Para os patrões e autoridades locais, a morte delas serviria de exemplo do que pode acontecer a quem não cumpre as regras impostas pelos poderosos.

Há contradições a essa versão. A pesquisadora Renée Coté, que publicou um estudo em 1984, no Canadá a respeito do assunto, salientou que não há registros, em fontes históricas, sobre um dia 8 de março, ou sobre greve de trabalhadoras americanas em 1857, manifestações de mulheres ou um dia da mulher.

Em sua pesquisa, Renée descobriu vários movimentos feministas a partir de 1909. Mas, concluiu que a data foi fixada em 8 de março por causa da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, realizada na Rússia. “Uma camarada búlgara propôs o dia 8 de março como data oficial do Dia Internacional da mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas na luta pelo socialismo”, diz o texto de Renée.

Existe ainda uma terceira linha de pensamento, que atribui a criação da data a vários ciclos de luta, numa era de grandes transformações sociais, até as primeiras décadas do século XX. A Sempreviva Organização Feminina (SOF) ressalta que “o Dia Internacional da Mulher é o símbolo da participação ativa das mulheres para transformar a sua condição e a da sociedade”.

Desde 1922, o Dia Internacional da Mulher é celebrado no dia 8 de março.

Quanto ao incêndio na fábrica de tecidos, o que a pesquisa da SOF levantou é que realmente ele existiu. Não em 1857, como diz a lenda, mas em 1911. De acordo com relatos da época, cerca de 500 mulheres trabalhavam de forma precária numa mal ventilada indústria têxtil, que ocupava os três últimos andares de um edifício de dez andares, em Nova Iorque. A porta de acesso à saída era trancada pela direção da fábrica, para que não houvesse interrupção do trabalho.

Quando os bombeiros chegaram ao local, 147 mulheres já haviam morrido. No enterro delas, de acordo com a pesquisa, havia 120 mil operárias, declarando solidariedade às mulheres trabalhadoras. Iniciaram-se aí as legislações de proteção à saúde e à vida das trabalhadoras.

Comentários

Comentários