Os cafeicultores estão enfrentando a pior situação do setor nos últimos 20 anos. O café vale hoje em dia US$ 42,00 por saca de 60 quilos e com a perspectiva de uma safra brasileira de 40 milhões de sacas (2002/2003), o que é considerada uma excelente produção, mas que pode derrubar mais ainda o valor do produto no mercado internacional. A análise é do presidente do Sindicato Rural de Bauru, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e membro do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), Maurício Lima Verde Guimarães.
O líder ruralista destaca que os produtores brasileiros precisam de RS 1 bilhão para aplicar na próxima colheita – R$ 25,00 por cada uma das 40 milhões de sacas -, que não estão disponíveis.
Pela primeira vez, nas últimas duas décadas, não existe dinheiro oficial para custeio do café. O CDPC aprovou a liberação de R$ 1,1 bilhão para a pré-comercialização. Porém, o custeio para a colheita da última safra, foi feito por meio de bancos particulares, que ficaram receosos de liberarem dinheiro e sofrer com a inadimplência.
A questão é que a produção mundial, safra 2002/2003, será acima do consumo. A previsão é que sejam colhidas 118 milhões de sacas para um consumo de 108 milhões, ou seja, devem sobrar 10 milhões. Além disso, já existem 40 milhões de sacas estocadas no mundo (uma colheita brasileira), nas mãos de exportadores e especuladores. O governo brasileiro tem um estoque de 6 milhões de sacas, adquiridas pelo Funcafé. Isso deve agravar ainda mais a situação do mercado internacional do produto.
Nos últimos anos, a Associação dos Países Produtores de Café (APPC), o cartel do produtores, tentou fazer uma retenção nas exportações, que não surtiu efeito. Isso acabou por quase provocar o fechamento da entidade, que hoje é dominada pela Colômbia, com o Brasil perdendo todo o poder político que tinha, já que era titular dos principais cargos diretivos.
Tirar excessos
Para Lima Verde, a única solução prática para reverter os problemas que estão ocorrendo é a retirada do excesso de café no mercado. Porém, a única forma de isso ocorrer é se os governos dos países produtores comprassem o excedente. Mas, dificilmente isso ocorrerá, em razão da situação econômica mundial e, principalmente, da brasileira.
O membro do CDPC disse que pode haver uma reversão no quadro se acontecer problemas climáticos como uma geada que derrube muito a produção brasileira. Isso pode fazer o valor do produto aumentar no mercado internacional. Mas, Lima Verde diz que isso seria, também, muito ruim para os produtores nacionais. “Lá fora (no Exterior) está todo mundo torcendo para que aconteça isso. Nós aqui não queremos nem pensar que uma coisa dessas possa acontecerâ€, afirma.