Nos bairros mais novos e periféricos, um grave problema é o aparecimento dos animais peçonhentos, como cobras, escorpiões, aranhas e lacraias. De acordo com o biólogo Roberto Marono, técnico de laboratório no Departamento de Ciências Biológicas da Unesp de Bauru, isso acontece pela proximidade da vegetação, reforçada pelo acúmulo de lixo e entulho.
Para que a cidade cresça, o homem invade o território dos animais silvestres, promove desmatamentos e os “empurra†para fora de seu habitat. Desabrigados, eles saem à caça de um novo “lar†e acabam aparecendo nos quintais, garagens e terrenos baldios ou em lugares onde haja acúmulo de madeira, material de construção e sujeira.
De acordo com Marono, a aranha armadeira é o animal peçonhento mais comum na região de Bauru. “E ela é super perigosa, porque consegue unir as patas ao corpo, tomando a forma de um gravetinho. Quando fica nos cantos de portas e batentes, dificulta sua localização. Se você levar a mão, ela pica. Além disso, é uma espécie agressiva, que pula até 20 centímetros para a frente. Para ela, tudo que se move é presa ou predador e ela sempre atacaâ€, explica.
Entre as aranhas, também é comum encontrar as marrons e viúvas negras, que são venenosas. Mas elas vivem comumente na vegetação e raramente são encontradas dentro de casa.
Outro animal que aparece com freqüência, segundo Marono, são os escorpiões. Apesar de serem mais comuns na periferia, podem proliferar-se em qualquer lugar onde haja entulho. Só neste ano, Marono informa ter sido acionado três vezes por moradores da região central da cidade supreendidos por escorpião em casa.
Uma particularidade deste animal salientada pelo encarregado de turmas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Antonio dos Santos Júnior, é a resistência aos venenos.
“A maioria dos produtos químicos só espanta o escorpião, mas não consegue matá-lo. Então, ele se esconde num lugar úmido e escuro até perceber que o efeito do produto passou. Como ele consegue ficar até seis meses sem se alimentar, ele dribla a aplicação de venenos e reapareceâ€, salienta.
Da mesma forma, moradores que habitam regiões periféricas, onde há mato, devem ter cuidado com as cobras. Os especialistas alertam que não há como afugentar estes animais. Por isso, redomenda-se manter uma área limpa ao redor de casa e observar sempre, pois elas podem esconder-se tanto no madeiramento do forro, como debaixo ou sobre os móveis.
Em caso de acidente com picada de animal peçonhento, é preciso procurar um serviço de saúde imediatamente, sem tomar qualquer medida caseira. Se for possível matar e apreender o animal, ele deve ser levado juntamente com a vítima.
Em Bauru, recomenda-se encaminhar a pessoa picada ao Pronto-Socorro Central. O socorro deve ser rápido, pois o efeito do veneno varia de animal para animal e conforme o local da picada e a condição de saúde da vítima.
Cupins e formigas
“A infestação de cupins e formigas está aumentando assustadoramente nos últimos anos.†A afirmação é de Waldomiro Rett, 81 anos, conhecido na região como “Caçador de Formigasâ€. Segundo ele, a destruição dos predadores e o descuido humano sobre seu lixo, entulho e mato facilita a reprodução destas espécies.
“Uma única rainha de formiga cria 7 mil filhotes em vida. E a tendência é que, em 20 anos, estejamos vivendo o caos, pois tanto os pássaros, como os sapos, que são predadores naturais destas espécies, estão desaparecendoâ€, completa.
De acordo com Rett, a única forma de matar formigas e cupins é identificar o ninho dos insetos e matar a rainha da colônia. Um trabalho muito difícil de se fazer na área urbana, na opinião do biólogo Marono.
“No campo, é fácil seguir e descobrir o olheiro. Mas na cidade não. Elas podem estar em qualquer lugar. Até porque, elas constróem diversas câmaras e é difícil acertar o veneno na câmara onde está a rainhaâ€, afirma.
Tanto formigas, como cupins, corróem madeiramento e concreto de casas. No caso dos cupins, se não houver um tratamento a tempo, a corrosão pode resultar até em desmoronamento.
Limpeza deve ser regular e sistemática
“Uma orientação que a gente dá para casos de infestação de pragas, é que se faça uma limpeza regular e sistemática de toda a casa. Além dos cuidados habituais de higiene, deve-se mexer em todo o material que fica depositado por muito tempo num mesmo lugar uma vez por mês ou a cada dois meses, eliminando tudo o que não serve maisâ€, afirma o encarregado de turmas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Antonio dos Santos Júnior.
Ele salienta que é muito comum, em imóveis com despensa, a dona de casa se preocupar com o estoque de alimentos e esquecer dos livros e jornais guardados. No entanto, estes são esconderijos perfeitos para ninhos de pragas urbanas. Uma vez por mês, segundo ele, seria importante tirar estes materiais da despensa, limpar o local onde ficam, rever o que realmente precisa ser guardado e só depois voltar ao lugar.
Os biólogos Sônia Silveira Ruiz e Roberto Marono concordam e acrescentam que isso vale para caixas de sapatos, sapatos, roupas de outra estação, caixas de papelão, revistas e tudo o que fica muito tempo esquecido nos armários.
“Mas se o bairro tem problemas com animais peçonhentos, é importante jogar um inseticida comum nestes lugares antes de mexer. Se houver um bicho escondido, ele vai sair. Isso evita que a pessoa ponha a mão num animal e sofra uma picada acidentalâ€, completa Marono.
Além desta faxina, eles recomendam fazer uma limpeza regular com a tradicional água sanitária, que tem ação desinfectante e afugenta insetos. Outra orientação é evitar o acúmulo de louça suja na pia, retirar o lixo várias vezes por dia ou mantê-lo tampado, usar telas em ralos e janelas e vedar frestas em forros e debaixo da porta.
Em bairros onde há casos de infestação, o morador pode optar pela aplicação de venenos (leia mais na página 4), o que só deve ser feito após a faxina sistemática e minuciosa. É preciso considerar que a luta pela sobrevivência faz parte da natureza dos animais e eles vão se instalar em qualquer lugar onde encontrem abrigo, alimento e condições favoráveis de umidade, temperatura e iluminação para sua procriação.
“A Secretaria Municipal de Saúde tem como objetivo orientar e combater doenças, mas com a colaboração da população. Se você não souber o quê ou como fazer, procure orientação junto ao Poder Público. Assim, você não vai falar, nem fazer besteiras e tomará ações preventivas eficazes, sem que tenhamos que puni-loâ€, conclui Júnior.