Saúde

Dividimos o mundo com outros seres

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

O mundo em que vivemos não é só nosso. Nele vivem também as plantas, os outros animais e os microrganismos, ou micróbios. Nesses milhares de anos em que habitamos a Terra, aprendemos a nos defender das plantas e dos animais perigosos, e sabemos também nos defender contra alguns micróbios. Mas esses pequenos seres se multiplicam com muita rapidez e são espertos o bastante para se modificarem, de modo a enganar as nossas defesas e os nossos medicamentos.

Essa afirmação é do médico infectologista José Fernando Casquel Monti. Ele explicou que o processo faz parte de uma evolução. “Nós evoluímos e aprendemos a nos defender de alguns microrganismos, mas esses pequenos seres também se desenvolvem, evoluem e nos atacam novamente”, afirmou.

Uma pessoa saudável vive em constante equilíbrio com a infinidade de micróbios que as cercam. O corpo do ser humano tem mecanismos de defesa que o protege, como por exemplo a pele normal, que não deixa a maioria dos micróbios penetrar. Existem no interior de cada corpo outras defesas também muito importantes, que dificultam a multiplicação dos micróbios e o estabelecimento das doenças. São as células de defesa e os anticorpos.

A doença infecciosa

Muitas vezes, os micróbios conseguem vencer as defesas naturais do organismo, principalmente quando elas estão enfraquecidas, de acordo com Monti. Estabelece-se então a infecção, processo no qual os micróbios se multiplicam no interior do corpo do indivíduo e produzem substâncias tóxicas, que vão prejudicar ou mesmo matar as células. “O organismo procura combater a infecção e aparecem então manifestações como febre e inflamação, que podem ser consideradas tentativas para controlar a doença infecciosa”, explicou.

Existem muitos tipos de micróbios e por isso há diferentes doenças infecciosas, que podem atingir diversas partes do organismo e provocar alterações leves (como o resfriado) ou mais graves (como a pneumonia ou meningite).

Vitamina C e defesas

De acordo com o médico pediatra Wilson Baroni, um nível adequado de vitamina C é essencial para o bom funcionamento das “células de defesa” do organismo. “Essas células vão reagir contra a invasão e multiplicação dos micróbios, podendo assim impedir a progressão da doença infecciosa”, disse.

Vários pesquisadores, segundo Baroni, já comprovaram que a vitamina C promove um aumento da atividade de leucócitos e neutrófilos, dois tipos de “células de defesa” que agem contra os micróbios. “Diversos estudos parecem indicar também que os níveis elevados de vitamina C favorecem a fabricação de anticorpos pelo organismo, sendo os anticorpos um importante mecanismo de defesa contra as infecções”, explicou. Por outro lado, Baroni disse que ainda existem controvérsias sobre o exato modo de ação da vitamina C e as doses mais adequadas. “Há evidência suficiente comprovando o seu papel na prevenção e tratamento de algumas doenças infecciosas importantes”, afirmou.

Mundo invisível

Existem plantas e animais tão pequenos que é necessário um microscópio para vê-los. Há bilhões e bilhões. Eles vivem em toda parte e também no organismo do ser humano. Os micróbios que produzem mau cheiro têm nomes compridos. Um é chamado Brevibacteria linen. Outro é chamado Corybacteria JK. São quase como nomes de família. Muitos micróbios são membros dessas famílias e quando crescem produzem odores.

De acordo com a médica dermatologista Cláudia Fernandes de Souza, é possível livrar-se de alguns deles. Mas os micróbios se duplicam constantemente e nunca será possível livrar-se definitivamente de todos eles. “Quando alguma coisa está livre de qualquer micróbio, diz-se que está esterelizada. Mas os micróbios sempre voltam depois de algum tempo. Estão presentes em todos os lugares. As pessoas estão protegidas da maioria dos micróbios maus através do sistema imunológico”, explicou.

Os pés, de acordo com ela, possuem odores algumas vezes não muito bons. Isso ocorre porque os animais, incluindo os seres humanos, produzem cheiros que os identificam como indivíduos. São os chamados feromônios.

“Os pés possuem mau cheiro quando fungos e bactérias, seres vivos semelhantes a plantinhas ou pequenos animaizinhos, crescem na pele. Parece terrível, mas é verdade. Tais seres microscópicos são chamados micróbios, que significa ‘pequena vida’”, disse Cláudia.

Faça o teste sugerido pela médica

Do que você precisa: Um amigo, uma venda para os olhos, um local silencioso, permissão de sua família.

O que fazer: Sente-se na sala de sua casa e coloque a venda nos olhos. Diga a seu amigo para pegar uma camiseta de cada membro de sua família. Você deve estar calmo e relaxado.

Seu amigo deixará você cheirar cada camiseta.

Sem tocar em nenhuma camiseta, você pode dizer a quem pertence cada camiseta. Agora tente na casa de seu amigo.

E então: Todos possuem um odor único - algo que é diferente de todas as outras pessoas. Estamos acostumados com esses cheiros e não nos damos conta disso. É por isso que devemos estar relaxados e quietos quando fazemos este experimento.

Os cheiros até mudam a fragrância do perfume que se usa. É também a razão pela qual casas diferentes possuem cheiros diferentes. O cheiro vem dos feromônios que produzimos.

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