A suspeita de que a central estava a serviço de ações criminosas, segundo o delegado titular da DIG, J.J. Cardia, partiu de uma investigação iniciada em janeiro deste ano. “A equipe investigava um crime de estelionato. Marcelo Marques da Silva foi indiciado pelo crime.
Contra ele havia uma acusação de uma vítima de Santa Catarina. Ela alegava que ele anunciava empréstimos financeiros em jornais de grande circulaçãoâ€, conta.
As pessoas interessadas nos empréstimos pagavam uma taxa para conseguir o dinheiro. O acusado, ao receber o dinheiro referente à taxa, sumia, trocava de telefone e a pessoa não conseguia localizá-lo. “Na época, apreendemos grande quantidade de documentos nesta mesma residência. Ele está indiciado por estelionatoâ€, explica o delegado.
Cardia percebeu que na residência havia várias linhas telefônicas. “Investimos nesta investigação. A empresa concessionária nos informou que Marcelo tinha 49 linhas telefônicas. Na última semana, foram descobertas duas centrais no Estado de São Paulo. Ambas estavam ligadas as facções criminosas de presosâ€, conta.
O delegado resolveu pedir autorização judicial para verificar se o mesmo não estava acontecendo em Bauru e acabou por descobrir a central digital especial. “O caso demanda mais investigações. Temos certeza de que o acusado exercia alguma atividade ilícita porque nem a maior empresa de Bauru possui uma central semelhante a estaâ€, ressalta o delegado.
Cardia quer que Marcelo Silva explique porque mantinha 49 linhas telefônicas em seu nome e também porque algumas delas estavam registradas em outro endereço. “Em todos os cômodos da casa havia tomadas para ligações telefônicasâ€, lembra.
O delegado admite que a central pode estar ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). “Pode estar ligada a esta facção criminosa. Segundo o perito telefônico, com a central, a concessionária só registrava a primeira ligação. As demais não passavam por elaâ€, frisa.
Para que serve
A central telefônica fixa apreendida em Bauru permite a conversação clandestina de quatro ou mais pessoas, de qualquer parte do País, ao mesmo tempo. Isso significa que facilita a comunicação simultânea entre pessoas em localidades diferentes, como presos em presídios distintos, por exemplo.
O detalhe é que a concessionária telefônica só registra a primeira ligação - as demais não passam pela empresa. Desta maneira, fica muito mais difícil para a polícia descobrir a comunicação entre criminosos. Com um computador acoplado à central telefônica é possível ainda passar fax e transmitir imagens.