Desde quando, fracassado o projeto de domínio mundial por intermédio da trágica burla do Materialismo Dialético e do insensato estímulo à luta de classes, e não do entendimento entre os indispensáveis agentes do verdadeiro progresso, que devem ser aliados e não inimigos, os incorrigíveis farsantes passaram a promover a nova estratégia adotada para a conquista daquele domínio, que rotulam como globalização. E, todos sabemos, uma das suas idéias centrais é a do “livre-comércioâ€, posto a serviço do novo Deus inventado, o famoso Mercado, que não existiria não fosse o trabalho humano de que ele resulta mas que, pretendem os farsantes, deve colocar-se acima de quem o cria e que passou a ter a absurda obrigação de servi-lo.
E tamanha é a desenvolta desfaçatez dos principais agentes, ao menos ostensivos, da farsa, que anuncia agora o “governo†Bush, uma sobretaxa de 30% sobre a importação de aço, exceção feita, nas Américas, aos dois parceiros já comprometidos com a famosa Alca, precisamente a “Aliança de Livre Comércio das Américasâ€. Como pode verificar o leitor, já não fazem cerimônia na prática da arbitrariedade com que atuam o que, obviamente, deixa a nu o grau de confiança dos mentores da globalização e da Alca.
Mas não pára aí a desfaçatez. Em relatório dado a público pelo Departamento de Estado americano, o Brasil aparece como grande violador dos direitos humanos - o que em parte é verdade, mas não é da conta dos que, neste mesmo momento, se ocupam em massacrar a população paupérrima de um longínquo país, o Afeganistão, ao mesmo tempo em que anunciam o prosseguimento da “luta contra o terrorismoâ€, a ser desencadeada agora contra o Iraque. Será que esperam que o mundo acredite que o referido Iraque representa ameaça contra os EUA e o seu povo?
São estes, e muitos outros que poderiam ser acrescentados, fatos evidentes mas que, nada obstante os absurdos que representam, não são percebidos com a necessária clareza pela população mundial porque, os verdadeiros controladores do poder a cujo serviço são levados a cabo, detêm o controle, praticamente total da mídia mundial, em nível internacional. E já o dizia Michael Novak, o fato mais preocupante dos nossos dias consiste na prevalência de idéias difundidas sobre os fatos, “mesmo quando estes as desmentem de maneira frontalâ€. Por isso, conseguem apontar países como o Brasil, como réus de crimes contra os direitos humanos, ao mesmo tempo em que mantêm, incomunicáveis, centenas de presos políticos e, na base de Guantánamo, outros tantos, aos quais foi negada a proteção dada pelo Direito Internacional aos prisioneiros de guerra, reclamada pela Cruz Vermelha, sob o pretexto de que não se tratava de prisioneiros de guerra, mas de combatentes ilegais, embora presos à força, em seu próprio país...
Entre nós, as eleições gerais se aproximam, e não nos parece fora de propósito que rejeitemos todos os candidatos que não tenham um discurso abertamente comprometido com o nacionalismo sadio e com a recuperação da auto-estima da nossa nação, hoje erodida pelo mais deslavado e injustificável entreguismo.
(*) Jorge Boaventura, e-mail: boaventura@jorgeboaventura.jor.br