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Por uma cidade menos barulhenta

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Têm chegado aos nossos ouvidos reclamações contra o excesso de ruídos em nossas vias públicas e vários setores da cidade, nos quais eles já atingiram as raias do insuportável. Protestam os reclamos especialmente contra as artérias tidas como vias de acesso às rodovias que ligam a cidade à circunvizinhança, entre as quais se destacam as avenidas Nações Unidas, Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Castelo Branco, provavelmente as mais ruidosas da urbe, sem que as autoridades do trânsito se despertem e decidam intervir em benefício dos moradores, pois que ao barulho ensurdecedor dos caminhões de cargas pesadas, assim como de muitos e velocíssimos ônibus locais e intermunicipais, se acrescentam os dos carangos e motos em “rachas” irresponsáveis que não deixam ninguém conversar normalmente com suas visitas, assistir programas de televisão, - inclusive, naturalmente, as novelas, - ouvir e entender noticiários de radioemissoras e, o que é mais grave, dormir tranqüilamente sobre seus colchões após cansativo dia de trabalho.

Seria “ouro sobre azul” se a Polícia de Trânsito assumisse permanentemente a tarefa de zelar pelo silêncio das vias públicas, inclusive, ela mesma, diminuindo a altura das sirenes e dos “uivos” de suas viaturas nos seus deslocamentos para atendimento de ocorrências, porquanto quando circulam nas suas missões de resgate assustam aos que estejam parados ou andando, olvidando que os sonhos do bauruense repousam, não é de hoje, sobre uma cidade menos barulhenta, ou não tanto ruidosa, notadamente à noite, para o que possui, desde muitos luares, aquilo a que a administração municipal batizou com a denominação de Lei do Silêncio, mas, por paradoxal que seja, nada tem disso aí para satisfação da coletividade. Ora, se essa lei existe ainda, povoando as respectivas intenções, por que então ela está colocada nos degraus das coisas desprezíveis, ou sem o devido valor, quando se tem o dever e até mesmo obrigação de atender à verdade de que ela, até que venha a ser revogada, é válida indefinidamente sem dúvida alguma? Finalmente, perguntar-se-ia: haveriam outras veredas que pudessem desviar das artérias centrais veículos abusivamente dotados de “vozes” ou roncos assim tonitroantes? É bem possível que sim, porquanto a cidade não é constituída somente de acessos privativos. Então, que os barulhentos sejam desviados ou, então, que se lhes faça aqui o que já fazem capitais e cidades grandes, nas quais se construíram salões, à beira das rodovias, unicamente para descarga de suas volumosas bagagens, depois recolhidas e levadas ao comércio central por veículos menores e conseqüentemente menos ruidosos, como é o ideal. Não consideramos isso uma idéia rejeitável, merecendo, portanto, a atenção de quem competente. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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