As empresas de Bauru e mais 64 cidades da região, que fazem parte da regional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), exportaram cerca de R$ 1 milhão pelo programa Exporta Fácil, mantido pela ECT. O volume de envio de mercadorias por essa via vem crescendo. Apesar disso, usuários acreditam que o sistema ainda deve ser aprimorado, para ganhar mais agilidade.
Em todo o País, o número de exportações feitas por micro e pequenas empresas no primeiro bimestre pelos Correios cresceu 78% em relação a igual período do ano passado. De acordo com Ana Rosa Atique, assistente comercial da gestão dos Correios Internacional, foram 640 operações entre os meses de janeiro e fevereiro de 2001 contra 960 em janeiro e fevereiro desse ano, somando R$ 1,13 milhão. Se o ritmo de operação continuar assim, a previsão é o volume de exportações pelos Correios chegue a R$ 15,5 milhões até dezembro.
O programa Exporta Fácil foi criado há dois anos para facilitar as exportações de micro e pequenas empresas. Em 2001, em todo o País, ocorreu um crescimento de 52% no segundo semestre em relação ao primeiro semestre, com o total exportado pelo programa chegando a R$ 8,67 milhões.
Ana Rosa destaca que as pedras preciosas, continuam sendo o produto de maior valor exportado, com uma participação de 41% no total das remessas ao exterior. Também se destacaram as exportações de livros e revistas (10% do valor total), vestuário e acessórios (9%). Produtos agrícolas responderam por 15% das exportações feitas pelos micro e pequenos empresários brasileiros. Uma das surpresas do levantamento é o volume exportado de cogumelos (4%) de São Paulo para o Japão. O Estado de São Paulo, de acordo com o balanço, destaca-se também pelas exportações de aparelhos eletrônicos, livros, própolis, instrumentos para dentistas e condensadores. Segundo os Correios, Estados Unidos (com participação de 38%) e Japão (com 13%), são o destino de 51% das exportações realizadas. Na seqüência, aparecem Portugal (7%), Peru (6%) e Alemanha (4%). Entre os Estados que mais exportaram em 2001 estão São Paulo (46% do total), Minas Gerais (28%) e Rio de Janeiro (9%).
Sem burocracia
O serviço de exportações pelos Correios está disponível para micro e pequenos empresários nas cinco mil agências do País, de acordo com Ana Rosa. As operações são limitadas a US$ 10 mil por pacote, que deve pesar, individualmente, até 30 quilos.
A lista de parceiros do Brasil inclui mais de 200 países da América Latina, Europa, Estados Unidos e Ásia. São três modalidades de envio: expressa, com prazo de dois a cinco dias úteis; prioritária, de cinco a 11 dias úteis e econômica, que tem preço mais em conta, mas prazo de entrega acima de 15 dias úteis. O serviço inclui seguro gratuito automático e seguro opcional.
Ana Rosa explica que para fazer a operação o empresário tem apenas que se preocupar com o seu produto e acertar a forma de pagamento com o importador. A parte burocrática fica para os Correios, como a digitação dos dados de exportação no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex), o acompanhamento da liberação alfandegária, o transporte ao país de destino e a entrega ao importador. Os Correios também possuem serviços pela Internet.
Serviço precisa ser aprimorado
O Exporta Fácil é um serviço que é interessante, mas precisa ser aprimorado para ganhar mais agilidade. A opinião é do economista Wagner Aparecido Ismanhoto, da Bruna Semijóias, que utiliza o serviço para entrega para alguns clientes.
A restrição fica por conta dos prazos de entrega. Segundo Ismanhoto, empresas especializadas em cargas para exportação fazem um trabalho muito mais ágil do que os Correios. Porém, ele acredita que o Exporta Fácil pode evoluir. “Apesar do prazo, chega direitinhoâ€, afirma.
O economista acredita que, com o tempo, o sistema poderá baratear ainda mais o custo das exportações das micro e pequenas empresas, pois acaba sendo uma alternativa interessante para facilitar o processo de venda no Exterior.