Regional

Comen deve sair do papel, após 12 anos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Quase 12 anos de existência e somente agora uma lei municipal de combate ao consumo de entorpecentes deve sair do papel, em Botucatu. Graças à iniciativa do radialista Vanderlei dos Santos, diversos segmentos da sociedade foram mobilizados e decidiram cobrar da prefeitura a implantação do Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen).

Aprovada pelos vereadores em 10 de outubro de 1990, a lei que prevê a criação do conselho procura ressaltar a importância do trabalho preventivo no combate ao avanço das drogas principalmente entre os jovens.

“Esse conselho já deveria estar funcionando”, disse Santos indignado. Ao perceber a importância de um conselho como o Comen, ele procurou reunir vários profissionais diretamente ligados aos consumidores de drogas, como médicos, promotores, juízes e educadores para tentar desengavetar a lei.

Depois de várias reuniões, o grupo encaminhou a proposta de criação do Comen à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, por sua vez, procurou a prefeitura para saber da viabilidade de se criar o conselho. Segundo a lei, todo e qualquer custo com o Comen corre por conta dos cofres municipais.

De acordo com Santos, a idéia de ressuscitar a lei foi uma maneira de chamar a atenção das autoridades para o problema das drogas. Na opinião do radialista, “todo e qualquer tipo de criminalidade (verificado ultimamente) sempre tem ligação com o mundo das drogas”. Segundo ele, a dependência causada pelo produto, seja ele qual for (maconha, cocaína, crack etc) geralmente leva o viciado a cometer crimes em busca de dinheiro para comprá-lo. Quando não se está em busca de meios para adquirir a droga, o usuário, na opinião de Santos, está sob o efeito da substância consumida e isso, muitas vezes, também traz conseqüências desastrosas.

O delegado Paulo Buchignani, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu, já não é tão enfático, como Santos, ao comentar a participação de dependentes químicos no mundo do crime. “Eu não diria que todos, mas uma grande parte dos crimes são praticados por consumidores de drogas”, disse. “Não há dúvidas de que a droga é uma das causas da violência, não só em Botucatu mas em todo o mundo”, afirmou o delegado.

Segundo ele, a Dise prende, em média, 250 pessoas todos os anos, em Botucatu. Um número considerado altíssimo, no entendimento de Buchignani.

Depois de ser entregue na prefeitura, a proposta de criação do Comen foi parar na mesa da assessora de gabinete. Selma disse que a demora se deve à preocupação em elaborar um conselho que contemple todos os segmentos da sociedade ligados ao tema.

Segundo ela, a lei fala da criação do Comen, mas não da sua composição. Na lista de Selma deve constar, por exemplo, a presença do Hospital Psiquiátrico e do Departamento de Toxicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pelas afinidades de ambos com o assunto droga.

“Vamos conversar com os advogados da OAB e com os outros (do grupo) para discutir o funcionamento do conselho, para que ele seja criado com base em um planejamento bem elaborado. Não vamos formar o conselho apenas porque a lei manda”, explicou.

Selma explicou ainda que a intenção é evitar que o conselho fique atrelado somente ao Poder Público. “Queremos algo mais democrático”, disse ela referindo-se à participação de diferentes segmentos da sociedade.

Comentários

Comentários