Polícia

Boato de ataque do PCC alerta PM

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um boato de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) planejava atacar ônibus que transportam funcionários das penitenciárias 1 e 2 de Bauru, no dia de ontem, levou a Polícia Militar a escoltar os veículos no horário de entrada do trabalho, pela manhã. Porém, os policiais não notaram nada de anormal no trajeto dos ônibus, do Centro até os presídios.

A informação do possível ataque foi levantada pela própria PM, em São Paulo, e chegou ao conhecimento dos funcionários das penitenciárias anteontem à tarde. O motivo para o suposto plano de ataque seria uma represália, pelo fato da população carcerária das penitenciárias de Bauru não aceitar membros do PCC.

A escolta foi feita por duas viaturas - uma na frente e outra atrás do ônibus - da 4.ª Cia da PM, responsável pelo policiamento dos presídios e apoio nas transferências de presos. O receio é que os ônibus com os funcionários fossem metralhados por membros da facção criminosa, como ocorreu em São Vicente há poucos dias.

Como a PM não garantiu a continuidade da proteção, Ramon Álvaro dos Anjos Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop), oficializou o pedido de escolta a todos os ônibus que transportam funcionários. “Queremos escolta para todos os funcionários, diaristas e plantonistas, até que as ameaças cessem. Os plantonistas que entraram às 6 horas, por exemplo, não foram escoltados. É um boato, mas não podemos ignorá-lo”, afirma.

A solicitação de escolta foi enviada às polícias Civil e Militar de Bauru, à Secretaria da Administração Penitenciária e ao coordenador das unidades prisionais da região noroeste do Estado, Antônio Paulo Veronezi. O capitão Reginaldo de Souza Braga, comandante da 4.ª Cia da PM, explicou que não há condições de fazer escolta permanente por falta de efetivo.

“Não há como fazer a proteção dos funcionários todos os dias porque temos que fazer a escolta de presos que estão sendo transferidos para outras penitenciárias. Hoje (ontem) à tarde, por exemplo, já não tínhamos efetivo para a escolta porque esse pessoal já havia terminado o turno de serviço. Mas vamos convidar o representante do sindicato para conversar, para que apresente seus problemas”, explica.

Veronezi conta que solicitou a escolta à PM quando soube do boato, mas frisa que a informação recebida era incerta. “A PM teve a informação de que um ônibus que faz o transporte de funcionários da P1 e P2 poderia, poderia, sofrer alguma coisa”, afirma. Para Souza, como o PCC é apontado como o autor de ataques a fóruns na Capital e aos agentes em São Vicente, o boato sobre Bauru não pode ser desconsiderado.

Ele ressalta que em 19 de fevereiro todos os sindicatos da categoria do Estado de São Paulo, em reunião com o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furokawa, cobraram medidas de segurança contra possíveis atentados do PCC. “Já passou quase um mês dessa reunião e nenhuma medida ainda foi tomada. Então entendemos que não há preocupação com a segurança dos funcionários”, afirma.

Na opinião do sindicalista, o PCC pode mesmo promover algum ataque em Bauru como uma forma de represália. “O PCC quer dominar as penitenciárias de Bauru mas não consegue. Os presos não aceitam membros do PCC aqui. Quando eles chegam, ficam no seguro (cela de segurança) até o diretor conseguir vaga em outra unidade onde eles são aceitos”, frisa.

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