Auto Mercado

Corsa muda visual e motorização

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Um novo carro. Assim pode ser definido o Corsa que a GM lançou recentemente nas versões hatch e sedã. Ele chega com muitas novidades mecânicas e no design e promete esquentar a briga com a concorrência em alguns segmentos de mercado, principalmente o dos populares.

O modelo cresceu em tamanho e incorporou inovações na carroceria, introduzindo o subframe na suspensão dianteira e uma verdadeira rede de computadores no controle de suas principais funções, a BCM. Disponibiliza também novas tecnologias de motorização, como o 1.0 VHC (Very High Compression) 11 cavalos mais potente que o utilizado pelo modelo anterior, e o inédito 1.8, ambos de 8 válvulas e derivados da “Família Um” da Chevrolet. Outra novidade é o autoclutch, sistema oferecido como item opcional que dispensa o uso da embreagem.

Tantas mudanças não foram adotadas por acaso. Elas integram a estratégia da montadora em posicionar o novo veículo acima dos atuais Celta e Corsa e abaixo da linha Astra para tentar conquistar o consumidor que pretende saltar do segmento dos carros econômicos/pequenos para um degrau superior.

Para isso, a GM evoluiu o projeto original do Corsa desenvolvido pela Opel e lançado há poucos dias na Europa. Em suas duas versões, o modelo ganhou um design mais moderno e agressivo, que enfatiza a robustez do veículo. As frentes dos dois automóveis foram desenhadas especialmente para o mercado brasileiro e têm linhas bastante semelhantes às do Astra, com faróis de dimensões maiores em forma de parábola com superfície multifacetada. Os pára-choques dianteiro e traseiro são pintados na mesma cor do automóvel.

A traseira do hatch possui lanternas verticais integradas ao vidro traseiro, privilegiando uma tendência crescente adotada em veículos nacionais. Já a do sedã parece ter sido inspirada na versão européia do novo Vectra. Ela recebeu um tratamento gráfico na superfície do porta-malas que se integra ao conjunto da lanterna, formando um detalhe que se assemelha a um aerofólio.

No interior, os painéis de instrumentos são corretos e funcionais, especialmente o do modelo com motor 1.8, que tem um aplique na cor prata no controle do ar condicionado, no rádio e na saída de ar central, assim como no próprio painel.

Mais uma novidade é a indicação de necessidade do serviço. Quando o veículo atinge a marca de 15 mil quilômetros ou 52 semanas - o que ocorrer primeiro - a indicação “Insp” aparece no hodômetro, alertando para a realização da primeira revisão obrigatória do veículo. Ela permanece por sete segundos após ligar-se a chave de ignição. Em seguida, o hodômetro parcial retorna no display.

Outro detalhe acrescentado no interior do carro é o mostrador de informação tripla (TID), instalado na parte superior do cockpit, que apresenta informações como hora, temperatura externa e data. Duas teclas localizadas à direita do mostrador permitem o ajuste do relógio.

O carro oferece mais itens de conforto e segurança, como o tacômetro desde seu modelo mais básico, iluminação do porta-malas e porta-luvas, porta-objetos e porta-óculos (exclusivo do modelo, localizado no teto acima da porta do motorista), imobilizador com recodificação automática a cada partida do motor, travamento automático das portas com o veículo em movimento e reforço estrutural das portas. Os pedais são desarmáveis em caso de acidente, para proteção das pernas e pés.

O novo Corsa oferece, como opcionais, o teto solar elétrico, direção hidráulica, sistema anti-travamento de freios ABS, “airbag” duplo, ar condicionado e diversas opções de pacotes. O veículo disponibiliza também um pacote de personalização com 32 itens, entre eles aerofólios, saias laterais e “spoilers” dianteiro e traseiro, rodas de alumínio de 13 e 14 polegadas, pedaleiras e ponteira de escapamento esportivas.

Por dentro do subframe

A tecnologia do “sub-frame” permite que os esforços provenientes do contato pneu-solo sejam transferidos para outros sistemas do veículo, minimizando impactos, vibrações e ruídos. Dessa forma, aumenta-se a rigidez da fixação da suspensão na carroceria, proporcionando maior estabilidade.

Graças a esse novo conceito - a estrutura onde é fixado o conjunto de “powertrain” (suspensão dianteira, sistema de direção, motor e transmissão) -, o veículo oferece mais conforto e segurança. Uma de suas grandes vantagens é a de melhor isolar a carroceria das imperfeições do solo, reduzindo substancialmente o nível de ruídos e de vibrações transmitidas para o interior do veículo.

A geometria da suspensão dianteira proporciona ainda o efeito DSA (Dynamic Safety Action), ou seja, uma melhora no comportamento dinâmico do veículo durante situações de frenagem. Em superfícies com diferentes aderências na pista, situação típica de ocorrência de derrapagem, o sistema ajuda a anular o efeito de o veículo sair lateralmente, pois a própria suspensão corrige as rodas e compensa essa tendência.

A nova suspensão do Corsa, bastante similar à do Astra, também traz como novidade as molas dianteiras com o conceito de esforço lateral (“side load”), diminuindo os atritos internos nos amortecedores e melhorando a performance do veículo e a estabilidade em curvas.

BCM é multifunção

O novo Corsa está equipado com um controle de carroceria (Body Computer Module, ou BCM) que controla praticamente todos os sistemas eletrônicos do veículo e se comunica com todos os demais módulos existentes, como o do sistema autoclutch.

O BCM é uma espécie de cérebro eletrônico, responsável pelo controle da iluminação externa e interna e do sistema limpador e lavador dos vidros. Além disso, os sistemas de travamento elétrico e alarme, quando disponíveis, também gerenciados por ele.

Entre outras funções, o BCM comanda:

O travamento automático das portas assim que o carro atinge a velocidade de 15 km/h;

O sensor de colisão que, em caso de uma batida, destrava todas as portas automaticamente, mesmo nos veículos não equipados com airbag;

O destravamento de todas as portas quando se retira a chave do contato.

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