Saúde

Obesos sofrem de compulsividade

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Compulsão não é gula, nem falta de vergonha. É uma doença. Entre os obesos, 40% têm esse transtorno. Um destino traçado não só pela genética. A crise, muitas vezes, vem no meio da madrugada. O sono interrompido e o ataque voraz à geladeira.

De acordo com a psiquiatra Karina Vargas, o que a genética discute é que, talvez, haja algum papel para o aumento da compulsão, não só para alimentos, mas para os exercícios, para álcool, drogas, compras, jogos. “Seria alguma coisa ligada à impulsividade”, disse.

Comendo, a professora Maria Rita Sallezi, 32 anos, ganhou 34 quilos em poucos meses. Ela, que atualmente mora em São Paulo e pesa 92 quilos, encontrou ajuda em um grupo de apoio a portadores de transtornos alimentares, que também trata de muita gente, vítima das chamadas dietas milagrosas.

“Essas dietas são criminosas, realmente estimulam outras complicações, além da doença que o indivíduo já tem. A compulsão é uma delas e a gente discute que ela vem carregada com outros problemas psiquiátricos, principalmente, a depressão”, afirmou Karina.

A medicina, de acordo com a médica, ainda não descobriu a cura para a compulsão. Mas, com o apoio de uma psicóloga e de uma nutricionista, normalmente as pessoas conseguem se controlar.

Rita contou que hoje está mais tranqüila em relação ao seu problema. “Antes eu era movida pela comida, chegava a comer arroz gelado. Não era fome, mas passava pela geladeira e não resistia dar uma bocada em algo. Então o que tinha eu comia. Agora, me controlo muito mais. Penso, repenso e quando vejo já passei pela cozinha e não comi nada”, conta.

Para ela, que aos 20 anos pesava 52 quilos, ser gorda é um grande problema. “A minha obesidade teve início quando eu comecei a tomar anticoncepcional. Nessa época, já engordei uns cinco quilos. Daí em diante, sempre engordei”, constata.

A professora contou que a compulsividade veio depois. “Quando me dei conta que estava bem gordinha, feia e que as pessoas me olhavam diferente, comecei a ter o problema da compulsividade. Eu comia sem fome. Chegava a passar mal de tanto comer, mas no momento em que estava ali mastigando, sentia um prazer enorme. Chegava a ficar feliz, mas depois entrava numa depressão...”, relata.

De acordo com Karina, esse problema é comum nas pessoas que começam a engordar e relaxam. â€œÉ uma doença, mas muitas vezes, se desencadeia dessa maneira. A pessoa nem é tão gorda, mas acha que está muito acima do peso, por isso ela não se importa em comer um pouco mais e pensa: ‘já estou gorda mesmo, não fará diferença”. Isso está errado porque sempre faz diferença e se nesse momento, a pessoa se cuidar e ter força de vontade, ela pode mudar seus hábitos e não engordar tanto. Digo tanto porque sempre engordamos, é normal, mas também sempre é possível evitar’, afirma.

A médica explica também que outras doenças, como diabetes e hipertensão, causam a obesidade. “O importante é estar sempre cuidando para que o corpo esteja saudável, independente de ser obeso”, aconselha.

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