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São Carlos deve produzir motor do Polo

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

São Carlos - O modelo Novo Polo da Volkswagen será equipado com motores produzidos na fábrica da multinacional em São Carlos. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Volkswagen na cidade. Em recente entrevista coletiva, o presidente do Grupo Volkswagen no Brasil, Herbert Demel, explicou que a montadora tem previsão de produzir 50 mil unidades do novo modelo. Número equivalente de motores será necessário para equipar os carros, que começam a ser produzidos ainda neste primeiro semestre.

O Novo Polo terá duas versões de motores: 1.6 e 2.0. A fabricação dos motores será absorvida pelas atuais linhas de produção da Volks de São Carlos. A EA 111 – motores de menor cilindrada – e a EA 113 – para motores de cilindragem maior a partir de 1.6.

A Fábrica de São Carlos produz 1,3 mil motores por dia para Gol, Parati, Seat Ibiza, Golf e Audi A3, além de montar unidades a diesel para exportação. Tem alta tecnologia aplicada à produção e foi a primeira fábrica de motores para automóveis a usar robôs no Brasil. Inaugurada em outubro de 1996, possui os certificados de qualidade ISO 9001 (gestão da qualidade) e ISO 14001 (gestão ambiental).

A unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo, montará o Novo Polo e o câmbio será fornecido pela fábrica da Volkswagen na Argentina. Atualmente, o projeto Novo Polo está no estágio de fabricação de séries experimentais, que não são carros para atender o mercado.

A linha de produção ainda não está operando com todo o seu potencial. A montadora investiu R$ 2 bilhões na restruturação da unidade do ABC Paulista para fabricar o carro de plataforma mundial.

Ao contrário do que acontece na Alemanha, onde o Novo Polo vai substituir a atual versão do Polo, no Brasil o veículo não substituirá nenhum modelo atualmente no mercado. O carro entrará no mercado brasileiro numa faixa de consumo entre os modelos Gol e Golf, em termos de preço, tamanho e volume de vendas.

A montadora definiu esse posicionamento como estratégico para suas pretensões de vendas. “Trata-se de uma importante fatia de mercado, até agora mal explorada pela própria Volkswagen e pelas demais marcas que atuam no mercado brasileiro”, avalia Herbert Demel.

Classe superior

Para os planos da Volks, o Novo Polo representa uma nova classe dentro da categoria A0, a de carros compactos. A montadora situa esse projeto como de tecnologia de ponta, design inovador e elevado nível de segurança.

Maior e mais espaçoso do que a atual versão - ganhou 154 mm no comprimento e 53 mm na distância entre eixos -, o Novo Polo estaria combinado o luxo e conforto de um carro de família e, ao mesmo tempo, oferecendo as qualidades de um típico carro urbano: ágil, seguro e de excelente dirigibilidade.

O modelo brasileiro será exatamente igual ao produzido na Europa. Apenas algumas características específicas de mercado serão observadas.

Lançamento

A Volkswagen está adotando a estratégia de dosar a divulgação das informações a respeito do novo carro, criando assim uma expectativa nos consumidores via imprensa.

A última notícia é que a fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo está investindo R$ 120 milhões na instalação de novos equipamentos e implantação de modernos processos de montagem final do Polo.

Conforme a montadora, esse investimento reduz de 12 para oito horas o tempo de montagem de cada veículo, e estaria melhorando as condições de trabalho dos operários.

Os novos transportadores das carrocerias, conhecidos como “elefantes”, têm regulagem automática de altura. Durante a montagem eles serão adaptados de acordo com a altura do funcionário e da operação que deve ser realizada. Na linha atual os transportadores são fixos.

Parte do trabalho será feita sobre uma esteira rolante: o montador trabalha fixo sobre a esteira, evitando seu deslocamento durante a operação de montagem. Atualmente, o empregado acompanha a linha conforme realiza as operações.

Segundo Gilberto Teixeira, gerente de implantação do Polo na montagem final, esses recursos agilizam a produção e aperfeiçoam as condições ergonômicas das operações de montagem. “O empregado fará menos esforço e trabalhará mais satisfeito”, conclui.

Módulos

O processo de montagem dos veículos também será modificado. A nova linha implantará a montagem por módulos, como na fábrica da VW/Audi em São José dos Pinhais (PR). “A implantação desse novo processo reduzirá o tempo de produção e facilitará o trabalho dos operadores”, explica Teixeira.

A parte inferior do carro – transmissão, motor, suspensões dianteira e traseira, alavanca de mudanças, escapamento, tanque de combustível, eixo traseiro –, será unida à carroceria por um só conjunto, chamado Fahrwerk.

O módulo frontal – Frontend – será constituído por faróis, painel frontal, radiador, defletores e pára-choques. No módulo Cockpit estarão o painel de instrumentos, pedais, coluna de direção e caixa de ventilação.

Duas novas cabines para testar a infiltração de água aumentarão de quatro para seis minutos o tempo da avaliação, garantindo maior qualidade de vedação das carrocerias. Além disso, testes especiais irão verificar, na própria linha, a vedação acústica de 100% dos veículos produzidos.

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