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RPG é considerado estímulo à leitura

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Desafio à criatividade e à imaginação, o RPG (abreviação inglesa de role playing game) já ganhou muitos adeptos em Bauru. Além de servir como um passatempo divertido que requer dos participantes o exercício da interpretação, o jogo estimula entre jovens e crianças o hábito da leitura.

Vampiros, lobisomens, soldados medievais, magias e super-poderes fazem parte dos mundos fantásticos, fictícios ou medievais pelos quais passam os RPGistas a cada nova aventura. A regra principal é contar uma história e enfrentar as situações propostas a partir da interpretação de papéis.

O mestre, que muitos definem como uma espécie de “juiz”, descreve ambientes, personagens e situações. Ele segue um sistema de regras, contido em livros que determinam como deve ser a história. Um mesmo jogo pode durar anos. â€œÉ como se cada aventura fosse um capítulo, que dura, em média, de duas a quatro horas”, explica o RPGista Fernando Mendes Rosan, 20 anos, que estuda direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE).

O universitário explica que os jogadores dizem ao mestre o que vão fazer durante a narração. Para isso, as habilidades dos personagens devem ser testadas com o objetivo de verificar se ele é capaz de fazer o que propõe. “Se alguma ação depende de força, é preciso ver as características físicas do personagem, por exemplo”, expõe.

Mas o RPG não é apenas um jogo de mesa. Na versão para computador, não há interação com as pessoas e o RPGista joga com a máquina. Já na versão teatro, as situações são literalmente interpretadas, inclusive com figurinos. Não há papel nem dados e as habilidades dependem das características do próprio jogador. â€œÉ só interpretação. Você simplesmente encarna o personagem. Você se veste e negocia. O mestre está lá para intermediar”, diz Fernando.

Para o jogador, que todos os finais de semana junta-se ao grupo de RPG do Serviço Social do Comércio (Sesc), o passatempo amplia o repertório cultural das pessoas na medida em que as estimula não apenas a leitura de livros de RPG, mas obras de ficção, histórias em quadrinhos e filmes. Ele conta que algumas edições de livros ligados ao tema chegam a esgotar-se com facilidade nas livrarias da cidade.

“Você precisa ter boa imaginação e por isso você tem que estar ligado nessas coisas para ter boas idéias para jogar. O mestre, por exemplo, tem que ler todo o livro do jogo e saber todas as regras. É uma forte influência cultural porque ou ele lê ou ele não pode mestrar”, frisa.

A mãe do RPGista, Conceição Mendes Rosan, também acha a atividade positiva. “Eles lêem muitos livros e exercitam a imaginação”, observa.

Livrarias

Em livrarias da cidade, a venda de livros ligados ao RPG mostra que o jogo tem muitos adeptos em Bauru. Segundo Sueli Aparecida Tomazini da Silva, gerente de uma livraria localizada nos Altos da Cidade, a procura por esses livros cresceu cerca de 20% no início deste ano. Ela acredita que as estréias de filmes como “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter” tenham contribuído para a procura.

Já Nilo Sérgio Alves, gerente de uma livraria do Centro, acredita que os freqüentes lançamentos no mercado, entre eles de livros-complementos de histórias de publicações antigas, impulsionam as vendas. “Está crescendo a variedade de opções no mercado”, diz.

O estudante Israel Baldinotti Ferreira, 18 anos, há um ano começou a participar de jogos de RPG, atraído pela interpretação dos personagens. “Eu não gostava de ler e agora estou lendo vários livros. E não só de RPG. Para entender os sistemas, você começa a se interessar”, enfatiza.

Na opinião de Viviani Bossa, 15 anos, que joga há um ano e meio, o RPG auxilia na compreensão de textos. “O que me atraiu foi o envolvimento com as histórias, porque você tem que prestar atenção em tudo. Antes, eu criticava porque eu não conhecia. Quando eu fui, acabei gostando”, confessa.

A necessidade de interação com outras pessoas é outra vantagem do jogo, na opinião de Fernando Rosan. “Ele impulsiona você a interagir com as pessoas. É como uma ferramenta. Se você for tímido, terá que interagir e acaba criando o hábito de conversar”, garante.

Contrariando a opinião de algumas pessoas, o rapaz afirma que o RPG não influencia ninguém a cometer atos violentos. “Ele não pode ser maléfico para a saúde mental das pessoas. O Cara só faz algo de errado se ele já era doido antes”, acredita.

Há cinco anos, Fernando está tentando formar uma associação de RPGistas por acreditar que Bauru conta com grande quantidade de jogadores. Por enquanto, alega que a iniciativa não vingou por mera desorganização. Essa é uma idéia, no entanto da qual o grupo do qual participa ainda não desistiu.

Serviço

O grupo de RPG do Sesc reúne-se aos sábados e domingos, a partir das 14 horas, no 1.º andar. Os interessados em conhecer ou participar dos jogos estão convidados a comparecer. O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71.

Criação

O RPG foi criado em 1974, nos Estados Unidos, por David Arneson e Gary Gigax, dois amantes das histórias do escritor J.R.R. Tolkien (criador do “O Senhor dos Anéis”) e dos jogos de estratégia militar com miniaturas. Eles fundaram a primeira empresa de RPG, a editora TSR, que criou o “Dungeous & Dragons” (D&D), o primeiro e mais famoso sistema de RPG. Ele deu origem ao desenho animado “Caverna do Dragão”.

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