Em uma matéria de capa da Folha de S. Paulo, no dia 13 de março pp., uma foto repugnante me chamou a atenção. Um palestino estava na iminência de cravar o punhal em um outro jovem palestino, já morto, ensangüentado e pendurado, como um animal, à sua frente. A legenda desta foto dizia: “Palestino esfaqueia em Ramallah corpo de um palestino acusado de colaborar com Israel.â€
A que ponto chega o ódio do ser que se diz “o rei da criaçãoâ€? Será que esse jovem teve a oportunidade de se defender? Será que deu tempo para se provar que realmente ele colaborava com o inimigo? Será que, na esperança de deter a guerra ele se propôs a esse gesto? O que me deixa preocupada é a rotina da violência, banalizar fatos como este e nós aqui longe do conflito, chegarmos a dizer: “Graças a Deus, isso não acontece no Brasil.â€
Mas as carnificinas dos presídios revoltados, os acidentes de trânsito, as guerras do tráfico de entorpecentes do nosso País, superam em muito o número das mortes na guerra do Oriente Médio. A falta de liberdade de estacionar o carro em nossas ruas, sem que sejamos importunados por jovens e outros não tão jovens, nos ameaçando “olhar o carroâ€.
Tudo que acontece com a humanidade afeta o homem, onde quer que ele se encontre, pois nós somos a humanidade, somos um holograma do Universo e tudo o que existe no Universo existe em nós e vice-versa. Enquanto nos sentirmos e pensarmos que estamos separados uns dos outros, o ser humano sofrerá, mesmo que tenha casa, comida, roupa lavada e uma enorme conta bancária.
Enquanto um ser humano sofre na África, na Índia ou nos territórios ocupados, sofreremos aqui, pois existe o que as escrituras dos grandes mestres chamam de Lei do Karma, ou lei da ação e reação, da qual não se pode fugir, de modo algum, mesmo se retirando para as gélidas montanhas do Himalaya. E todo conflito tem como causa, a miséria e/ou a ignorância, que gera o preconceito e alguns se acham no direito de prender e matar outros, porque não professam a mesma religião ou são descendentes de um povo inimigo, muitas vezes há milênios. Bendito aquele que disse: “Posso não concordar com nenhuma palavra que você diga, mas lutarei até a morte, para que você tenha a liberdade de dizê-la.â€
Que não percamos o sentimento e a capacidade de nos revoltarmos com fotos e fatos desse tipo e que haja paz entre os povos! Que haja liberdade entre os homens! Que haja mais amor no coração de todos nós! (Isabel Figueiredo - RG: 4.153.651)