Bairros

64% das praças não estão construídas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Bauru tem, atualmente, cerca de 280 áreas destinadas a praças. Deste total, porém, apenas 100 estão prontas. As outras aproximadamente 180 ainda precisam ser construídas. Isso significa que 64% destes espaços são terrenos baldios espalhados pelo município.

O titular da Semma, Luiz Pires, atribui o déficit a uma falha na Lei de Parcelamento de Solos. “A lei é antiga e obriga todo loteador a reservar 10% da área total do bairro como área verde, destinada a praça. Só que o texto não determina quem tem que construir a praça. Então, os loteadores apresentavam o projeto no papel e entregavam o terreno sem nada, para a Prefeitura urbanizar”, comenta.

Segundo ele, esta falha foi corrigida há cerca de dois anos, quando uma resolução exigiu que os novos loteamentos sejam entregues com os 10% de área verde já urbanizados. Eles devem apresentar uma quantidade mínima de bancos, lixeiras, passarelas e pontos de água e luz para determinada metragem quadrada.

“E agora nós escolhemos que parte do loteamento será reservada, optando pelos locais de maior mancha verde. Porque, antigamente, eles deixavam a pior parte do loteamento para isso, buracos, moçorocas, ribanceiras, onde não dá para se construir nada”, explica.

Apesar da nova resolução, Pires ressalta que, nos anos anteriores, houve um “boom” de loteamentos na cidade e que a administração municipal não conseguiu urbanizar todas as áreas deixadas na mesma velocidade. O resultado é este déficit de aproximadamente 180 praças não construídas.

Inversão de valores

“Junto com este problema, temos um sério agravante, que é a constante depredação desses logradouros públicos. Na verdade, trata-se de um inversão de valores que acontece no Brasil com relação ao que é público e privado. E quando o assunto é vandalismo, esta é uma briga que estamos perdendo”, destaca Pires.

Ele reclama que, no Brasil, as pessoas desrespeitam o bem público, quebrando, apedrejando e usando mal um bem que é de todos os cidadãos. “Eles se esquecem que aquilo pertence à coletividade, custou dinheiro de imposto. E a recuperação será paga pelo dinheiro público, que será gasto para refazer algo pela segunda, terceira, quarta vez. Hoje, 20% do orçamento da Semma fica na manutenção das praças. A população não se preocupa, vê o vandalismo e não faz nada, omitindo-se”, alerta.

O secretário lembra que, nos últimos anos, a União e o Estado transferiram várias atribuições que eram deles para os municípios. No entanto, não houve acréscimo na receita, tornando a verba para investimentos cada vez menor. Tal situação exige a priorização de alguns setores, em detrimento de outros.

“Se você diz que vai gastar R$ 80 mil na urbanização de uma praça, todos vão questionar, dizendo que esse dinheiro poderia ser usado para construir uma escola ou uma creche. O meio ambiente fica em segundo plano e gastando tanto com manutenção, não conseguimos urbanizar novas praças”, lamenta.

Envolvimento necessário

Para o secretário do Meio Ambiente, só o envolvimento da comunidade pode resolver esta situação. Segundo ele, nos bairros onde não há esta participação, os funcionários fazem a reforma num dia e o local aparece depredado no outro. “Então, a Semma adotou a postura de só atender pedidos quando houver parceria”, afirma.

Ele explica que a secretaria não tem recursos financeiros para realizar todas as obras, mas dispõe de mão-de-obra e técnica. Quando há um pedido, funcionários vão até o local, verificam o que será necessário fazer e a comunidade é orientada a mobilizar-se para conseguir o material.

Depois da obra executada, os moradores tornam-se responsáveis por regar os canteiros e vigiar o local. “Criando este vínculo, a comunidade vai se sentir ultrajada quando alguém destruir a praça deles. Onde não existe esse envolvimento, as pessoas passam durante o ato de vandalismo e fingem não ver, omitindo-se”, afirma Pires.

Comentários

Comentários