Economia & Negócios

Bacalhau sobe mas não inibe consumo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O aumento médio do preço do bacalhau entre 22% e 25% na comparação com o mesmo período do ano passado, em função da alta do dólar, não está inibindo as vendas. Em todas as empresas supermercadistas de Bauru consultadas pela reportagem, a procura pelo peixe está grande. As expectativas são de comercializar de 10% a 25% mais bacalhau em relação à março de 2001.

O gerente administrativo de uma rede que opera na cidade com três lojas, Edmilson Ronaldo Belan, diz que na semana passada a venda de bacalhau estava 30% maior que no mesmo período da semana anterior.

“A procura está tão grande que os 50 quilos de bacalhau do Porto colocados à venda em uma das lojas já foram comercializados. Uma nova remessa chegou. A partir desta semana, quando a concorrência entre os supermercados esquenta, certamente haverá quedas de preços”, observa Belan.

Comercializado em suas diferentes versões, o bacalhau pode ser encontrado com valores distintos, numa variação média que vai de R$ 13,90 a R$ 50,00 o quilo - entre todas as variedades.

Nessa empresa, o bacalhau Zarbo tem preços de R$ 15,00 a R$ 20,00. A oscilação de valores em um mesmo tipo se refere aos diferentes tamanhos do peixe.

O Ling sai entre R$ 20,00 e R$ 25,00; o Cod, entre R$ 25,00 e R$ 30,00 e o Porto, sempre o mais caro, de R$ 35,00 a R$ 50,00. Segundo Belan, neste ano o bacalhau está cerca de 25% mais caro do que em 2001.

De acordo com o gerente, a previsão é de superar o volume comercializado nesse mesmo período do ano passado em cerca de 25%. Quem não abre mão de um bom vinho como acompanhamento da bacalhoada, poderá optar pela garrafa do italiano Lambrusco, à venda por R$ 11,00 nessa empresa. Vinhos portugueses, a partir de R$ 15,00.

O consumidor Reinaldo Alves, que conversou com a reportagem em meio a uma compra, diz que gosta muito de peixe e que não deixa de consumir um bom bacalhau nessa época.

“Sempre compro bacalhau na Sexta-Feira Santa, mesmo antes da data. Vou comer bastante este ano”, comenta.

Nelson Tedesco adora reunir a família para saborear a bacalhoada preparada pela esposa. “Gosto muito de bacalhau e sempre comemos na Sexta-Feira Santa”, conta.

Peixes em alta

Além do bacalhau, o período de Páscoa também resulta no incremento das vendas de peixes, em geral, e de frango. Muitas pessoas evitam o consumo de carnes vermelhas nessa época.

O gerente de marketing de uma rede que administra nove unidades em Bauru, Roberto Loureço, afirma que a comercialização de peixes, em março, registra crescimento em torno de 25% na comparação com os demais meses do ano.

Em relação ao bacalhau, a expectativa da empresa é vender cerca de 15% a mais sobre o mesmo período do ano passado, entre todas as variedades do peixe colocadas à venda.

“Somos tradicionais na venda de bacalhau. A superação do volume em torno de 15% será um ótimo resultado, pois em 2001 registramos índices bem altos. Negociamos muito para vender barato”, observa Lourenço. O auge da procura é esperado a partir da próxima semana.

Em outra empresa, o diretor Émerson Svízzero espera vender aproximadamente 10% a mais de bacalhau neste mês em relação a igual período de 2001. O otimismo condiz com a boa performance de vendas que vem sendo registrada. Segundo o diretor, já foi preciso fazer novo pedido aos fornecedores para atender à demanda.

“No momento, os tipos mais procurados para consumo imdediato têm sido os mais baratos, como o Saite e, em alguns casos, o Zarbo. Geralmente as pessoas deixam para comprar o bacalhau do Porto mais próximo à Páscoa, para o almoço em família”, diz Svízzero.

Nessa loja, o bacalhau Saite graúdo tem valor médio de R$ 13,90. O Zarbo, por volta de R$ 19,80 e o Porto, R$ 32,00, na média.

O gerente de outra rede de supermercados, Sebastião da Silva, diz que o preço médio do bacalhau neste ano está cerca de 22% mais caro que em 2001. Mesmo assim, a previsão da empresa é de superar o volume comercializado no ano passado em torno de 20%.

Confirmando a tendência das pessoas consumirem mais carne branca nessa época do ano, Silva diz que a venda de peixes triplica em março, na comparação com o restante do ano.

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