Estamos vivendo um momento de alerta. Depois de vermos a maior epidemia de dengue dos últimos 11 anos assolar o Rio de Janeiro, é chegada a hora de unirmos poder público e sociedade civil para evitar que o mesmo ocorra no Estado de São Paulo. Na Câmara Municipal, vereadores estão se mobilizando em defesa da saúde pública de nossa capital. O grupo, no qual me incluo, criou um Comitê Civil no Combate ao Avanço da Dengue. A idéia foi lançada com o objetivo de evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença no município, formalizando como o legislativo e demais entidades da sociedade civil organizada poderão auxiliar os governos federal, estadual e municipal na tentativa de impedir o avanço da dengue.
Mas que responsabilidade tem a população nessa tarefa? Muita, se considerarmos que só com a participação coletiva o trabalho de contenção de uma epidemia será realmente eficaz, já que a dengue é uma doença que não escolhe raça, idade ou classe social. É necessário que todos os paulistanos conheçam o inimigo, a começar pelos sintomas que ele provoca. Em sua forma primária, a dengue apresenta-se como uma gripe muito forte e longa, com febre intensa, dores pelo corpo, dor de cabeça e olhos avermelhados. Vai embora depois de vários dias e o tratamento consiste em repouso, muito líquido e anti-térmicos (excetuando-se o AAS). Na sua forma secundária, a doença pode vir sob a forma hemorrágica, levando inclusive à morte de pacientes.
A dengue é uma moléstia provocada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que deposita seus ovos em locais onde haja água limpa e parada. A grande dificuldade no combate à doença deve-se ao fato de 90% dos focos do mosquito estar dentro de casas, comércios, indústrias e prédios públicos.
A inocente plantinha na sacada do apartamento, aquele depósito de coisas velhas no quintal, a água da flor da santinha na penteadeira, a caixa d’água aberta, os pneus no pátio da borracharia, a poça de água de chuva na lage, a água acumulada na bela bromélia no jardim podem (e devem) estar criando as larvas do mosquito transmissor.
Em Santos, há três anos, descobriu-se larvas na água dos vasos sanitários dos apartamentos fechados de veranistas. Foi preciso ordem judicial para que a Secretaria Municipal de Saúde entrasse nos domicílios. As áreas de risco da doença têm-se expandido por todo o mundo, sendo sempre mais altas nas zonas urbanas. No Brasil, a maior área de risco inclui toda a costa do Atlântico, começando no Sudeste pelo Estado de São Paulo, indo até o Norte. Algumas áreas do Centro-Oeste também são infestadas pelo mosquito. As demais, embora não sejam consideradas de risco, também podem ter a presença indesejável do Aedes. A cada ano, dezenas de milhões de casos de febre da dengue ocorrem, muito embora, felizmente, os casos fatais não ultrapassem 5%. Por todas essas questões, a dengue é uma doença que diz respeito a todos nós. Assim, cada criança, cada dona de casa, cada comerciante, cada professor, cada religioso, enfim, toda a comunidade, precisa envolver-se no trabalho de exterminação do mosquito, ou a epidemia virá, inexoravelmente, para São Paulo.
O poder público precisa fazer sua parte. O Ministério da Saúde repassou a verba necessária para ações preventivas de combate ao Aedes aegypti. A Secretaria Estadual de Saúde tem dado o suporte técnico e humano, através da Sucen. A Secretaria Municipal de Saúde, que na gestão anterior realizou um trabalho aquém das expectativas, tenta agora recuperar o tempo perdido, igualmente fazendo sua parte.
Mas isso não é suficiente. Em face das peculiaridades da doença, só um imenso mutirão da sociedade, apoiando as ações do poder público, poderá eliminar o mosquito e afastar a epidemia. E este é um trabalho que deve começar dentro da casa de cada um. Nós, vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, estamos dispostos a nos engajar nesta luta, pois temos plena consciência de tratar-se de uma tarefa árdua, cuja execução deve merecer a atenção de todos os paulistanos.
(*) O autor, Gilberto Natalini, é médico e vereador pelo PSDB em São Paulo