Não apenas se diz, mas, inclusive se afirma, categoricamente, que o universo mudou. E o fez na realidade, já que de tempos a esta parte ele exibe transformações vitais, substanciais, numa proporção fabulosa quanto a aspectos humanos e materiais. Realmente, deu ele saltos tão transformativos aqui e ali que conseguiu diferenciar todo o panorama que mostrava no decurso do outro milênio, quando, enganosamente, oferecia a impressão de que permaneceria estático indefinidamente, não mexendo nem mesmo nas cores do arco-íris de todos os tempos... Contudo, os avanços não poderiam ater-se unicamente no amplíssimo campo da materialidade. Foi longe, bem longe, notando-se que até uma tal de Internet, por exemplo, invadiu avassaladoramente a seara da história, que ainda está em andamento, graças a Deus. Não poderiam e, por tal razão, se obrigariam a atingir, um dia, de maneira irrevogável, a sempre intuitiva esfera físico-humana, o que se atesta observando que as múltiplas diversificações despertaram também - até e como? - a desmedida e incontrolável vaidade de homens e mulheres, os quais não quiseram estacionar fisicamente perante o tempo, entendendo que teriam de ser cada vez mais viçosos, belos e atraentes, não parando, conseqüentemente, nos estacionamentos da vida. Dessa forma, foram além, em tudo quanto podiam, passando a perseguir a beleza física pessoal de maneira persuasiva, porquanto levados impulsivamente por um inato sentimento de insatisfação contra as disposições naturais do próprio corpo. E no que conseguiram forçar a evolução? Em muito, bastante mesmo. No que concerne ao Brasil, por exemplo, as mudanças levaram o número de cirurgias plásticas a crescerem cerca de 150 por cento, enquanto a proporção de cosméticos nacionais aumentava 240 e a medicina-estética alterava milagrosamente a fisionomia de muitos milhares de peles, rostos, seios, abdomens, quadris e pernas nas mulheres e a moderníssima malhação se incumbia de modificar não só as beldades como também os homens, moldando seus músculos e combatendo a gordura localizada. E não estacionou aí a sua arrancada, à sombra da qual se avantajou o consumo de produtos dietéticos, como refrigerantes, alimentos e adoçantes, cujo mercado quadruplicou em meia-dúzia de anos. E se tem de acrescentar a esse balanço que a nova ordem de coisas determinou ainda que a nossa importação de aparelhos de ginástica se desenvolvesse numa proporção anual de 25 mil. Complete-se aduzindo que, conseqüentemente, passou a ser de mais de dois milhões anuais o consumo de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal utilizados por nossos patrícios e patrícias. Muito bem! Parabéns! É por isso que temos de nos orgulhar de figurar nos primeiros lugares dentre as raças mais bonitas que o mundo abriga.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado