Há algum tempo, venho questionando, dentro do meu círculo de relações cotidianas, a existência de crianças de rua bem como a omissão das autoridades e a tolerância da sociedade em relação a esse quadro.
Crianças na rua, abandonadas ou não, esmolando e procedendo de modo marginal, ainda que não-delinqüentes, no limiar daquilo que nosso delegado Ciocca chama de “caminhos obscurosâ€, constituem o desafio prioritário na prevenção da violência, pois entendo que o fato de nossas autoridades e toda a sociedade convivermos com essa situação com a passividade e permissividade que se demonstra, transcende os limites da omissão e adentra o campo da irresponsabilidade, pois se permitimos a semente do mal, não podemos, depois, lamentar os seus frutos. E sabemos que não há pretexto que possa justificar a presença de uma só criança em situação marginal, pois a passagem de situação de criança de rua para a de delinqüente depende só de um pequeno passo para o qual não se exige qualquer esforço.
Como sou uma pessoa que sempre acredita que o amanhã poderá ser melhor que hoje, vejo o projeto de criação e instalação da Delegacia da Infância e Juventude, junto à Delegacia Seccional de Polícia de Bauru (JC de 3/3/2002), como o despertar de esperanças na solução da situação enfocada.
Assim, quero parabenizar as autoridades responsáveis pela iniciativa e aproveitar o ensejo para propor que toda criança seja retirada da rua, a qualquer custo, sempre que for percebida sua situação de marginalidade, ampliando assim a ação do projeto que, pelo que entendemos, se propõe a atuar somente a partir do 1.º Boletim de Ocorrência. (Carlos Inácio da Silva - RG: 4.924.799)