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Aprobar acusa Prefeitura de omissão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O uso de sedém, do sino e da espora pontiaguda em cavalos e touros está definitivamente proibido em Bauru, Arealva e Avaí. Para a Associação dos Profissionais de Rodeio de Bauru e Região (Aprobar), que acusa a Prefeitura de Bauru de omissão por não ter interposto recurso à decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, a medida significa o fim dos rodeios e de todas as atividades envolvendo cavalos, como provas do laço, mesa da amargura, e bois.

Carlos Eduardo Silva Padilha, presidente da Aprobar, afirma que a Administração Municipal foi omissa no caso porque não interpôs recurso da decisão do TJ - o prazo já está esgotado. “A prefeitura foi omissa e negligente ao perder o prazo para contestar a decisão do TJ. Com isso, Bauru é que perderá porque está proibida de realizar qualquer atividade relacionada a cavalos e touros, o que poderia render dinheiro para a cidade”, diz.

Luiz Pegoraro, secretário dos Negócios Jurídicos, rebate Padilha explicando que a Administração teve três motivos para não recorrer da decisão do TJ. “Em primeiro lugar, não tínhamos fundamentação para pedir a suspensão dos efeitos do acórdão. Em segundo, caberia aos interessados recorrer. A Prefeitura de Bauru não está disponível para defender interesses particulares, portanto caberia a Aprobar entrar com o recurso. Em terceiro lugar, quando consultamos os nossos computadores não vimos que havia sido revogada a lei municipal que proibia o sédem, o que impedia a prefeitura de entrar com o recurso”, explica.

Para Padilha, apenas a Prefeitura de Bauru, por constar na ação como a ré, poderia entrar com o recurso. Mas Pegoraro rebate a afirmação, frisando que ele sabia sim que a Aprobar poderia recorrer. “Essa associação foi avisada que tinha legitimidade para recorrer da decisão. A Prefeitura de Bauru, Arealva e Avaí eram partes citadas na ação, mas eles (a Aprobar) eram os terceiros interessados e poderiam ter recorrido “, frisa.

Padilha acredita que os eventos envolvendo animais até então realizados em Bauru serão transferidos para cidades da região. Ele considera incompreensível a decisão da prefeitura de não recorrer da decisão do TJ afirmando que Bauru não tem identidade econômica definida e é carente de espetáculos. Indignadas com a prefeitura, a Aprobar elaborou uma carta de repúdio ao poder público municipal, na qual consta o apoio de duas entidades do segmento de rodeio e 24 fazendas e empresas agrícolas.

O documento questiona o prefeito Nilson Costa, afirmando que as provas com animais significavam emprego e dinheiro para a cidade. “Será que Bauru merece tão infeliz decisão? Onde está a preocupação do prefeito em gerar empregos, impostos e atrair empresários na medida que estes eventos projetam o nome da cidade pelo Brasil afora?”, diz um trecho da carta de repúdio.

O documento afirma que os rodeios não maltratam os animais e que a administração municipal não agiu de acordo com o interesse da maioria. “Esta decisão não teria agradado somente a minoria elitista com interesses pequenos e contrários aos da população bauruense, desconhecedora da origem pecuária das provas realizadas nestes eventos que já foram cientificamente comprovada que não maltratam os animais?”, diz outro trecho do documento de repúdio.

Entenda o caso

A decisão do Tribunal de Justiça refere-se a uma ação civil pública com pedido de liminar impetrada em 1999 pela União Intermunicipal do Meio Ambiente (Uipa). A liminar foi concedida em Bauru, mas julgada improcedente pelo TJ no mesmo ano. A ressalva do documento referia-se ao uso do sédem e da mesa de amargura, cuja proibição foi mantida.

Ainda em 1999, a liminar que restringia a realização de rodeios através do uso do sédem e da mesa da amargura foi revogada. Na ocasião, o Ministério Público recorreu da liminar. O recurso foi julgado e acatado pelo TJ no ano passado.

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