Polícia

Tráfico ambulante é alvo da polícia

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Duas apreensões de crack feitas na noite de terça-feira, na área central da cidade, tiraram de circulação 22 invólucros da droga que estavam prontos para ser comercializados. Dois jovens, um de 18 e outro de 19 anos, foram autuados em flagrante por tráfico. Eles fazem parte do comércio ambulante de drogas que atua na periferia e área central da cidade.

O comércio varejista é praticado por jovens usuários de entorpecentes que entram no tráfico para sustentar o vício. A primeira apreensão foi feita por volta das 21 horas de terça-feira, no cruzamento das ruas Ezequiel Ramos com Rio Branco. A desempregada G.A.B., 19 anos, foi surpreendida por policiais militares do Tático-4 com sete invólucros de crack que estavam escondidos dentro da boca. Ela foi autuada em flagrante por tráfico de entorpecente.

Cerca de três horas depois do primeiro flagrante, ainda na área central da cidade, policiais militares surpreenderam P.S.F.J., 18 anos, comercializando crack. Ele foi abordado na quadra 2 da rua Batista de Carvalho.

Graças a uma denúncia anônima feita ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), os policiais localizaram o acusado. Ele estava 15 invólucros de crack embalados para venda, envoltos em um plástico branco. Em um dos bolsos da calça de P.S.F.J. havia R$ 113,00 em dinheiro e em outro foram encontrados dois cheques nos valores de R$ 10,00 e R$ 50,00. Suspeita-se que o dinheiro e os cheques sejam fruto da venda de entorpecentes.

A área central da cidade acolhe o comércio ambulante de drogas. O pequeno traficante freqüenta bares, barracas de lanches e pontos de ônibus em busca do usuário. Uma pedra de crack pequena é vendida por R$ 10,00 e a maior por R$ 15,00. O alvo do comércio ambulante de drogas são os freqüentadores da noite da área central como prostitutas, travestis, entre outros.

A polícia tem conhecimento do tráfico varejista da área central, mas enfrenta dificuldades. Uma delas é surpreender o “avião” (quem transporta a droga) em atividade. O comandante do Tático-4, tenente Hudson Covolan, explica que tem intensificado o patrulhamento naquela área da cidade. “Estamos intensificando o patrulhamento preventivo e acompanhando de perto os freqüentadores da área central”, conta.

Droga escondida na boca

O tráfico de entorpecentes, especialmente o de crack, envolve práticas nada higiênicas que dificultam a prisão do “avião” (pessoa que faz a distribuição da droga), ou o traficante pequeno, que sustenta o seu vício com o comércio ilegal.

Para evitar a prisão, o traficante esconde as pedras dentro da própria boca, retirando-as somente na hora de entregá-las ao comprador, que usa a mesma tática para evitar ser pego pela polícia. “Esconder a droga dentro da boca dificulta a ação da polícia”, frisa Hudson Covolan, comandante do Tático-4 da Polícia Militar.

Segundo o tenente Hudson, quando o “avião” é abordado, muitas vezes ele engole a droga. “Eles carregam duas ou três pedrinhas. Quando fazemos a abordagem, eles engolem a droga. Depois da saída da polícia, eles procuram um banheiro e provocam o vômito, recuperando as pedras e recolocando-as novamente na boca”, conta.

O comandante do Tático lembra que há menos de um mês uma jovem engoliu algumas pedrinhas de crack, mas não conseguiu ludibriar a polícia. “Ela foi levada ao Pronto-Socorro Municipal e submetida a uma lavagem estomacal. Uma das pedras foi apreendida e a acusada indiciada por porte e uso de entorpecente”, diz.

Dise visa atacadista

O delegado titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, José Henrique Gomes dos Santos, admite que existe o tráfico varejista. “Nosso alvo é o traficante maior, aquele que traz a droga e a distribui para o varejista”, conta.

Segundo o delegado, os traficantes varejistas, em sua maioria, são usuários que trabalham em troca de uma porção para uso próprio. “O pequeno traficante porta pequena quantia para o comércio. Se no fim da noite não consegue vender, devolve para o traficante. Pode ser que os dois jovens acusados de tráfico na noite de terça-feira trabalhem para o mesmo traficante, ou para traficantes diferentes, alvos da Dise”, diz.

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