Pesca & Lazer

História de Pescador: Segredo revelado após 18 anos

(*) Bruno Simavi
| Tempo de leitura: 2 min

Era feriado no ano de 1984, no dia 1 de abril, numa cidade pacata que não citarei o nome pois respeito a natureza. Estava eu em minha casa observando a lua em minha cadeira de balanço quando bateu uma fome e resolvi procurar algo para comer. Não tinha nada para comer em casa. Faminto, a alternativa foi trazer alimento da lagoa.

Peguei minha tralha de pesca e fui pro lago com minha lanterna pelo meio do mato. Ao chegar lá, notei que tinha esquecido as iscas e acabei ficando no escuro, pois as pilhas da lanterna tinham acabado. Agora estava nervoso, faminto e no escuro. Joguei uma pilha no lago, sentei no chão e, desconsolado, fiquei olhando para a terra até que notei um clarão me iluminando e um barulho muito alto e estranho.

Olhei para o lago e toda a água estava iluminada. Eram milhares de peixes-elétricos pulando e iluminando como vaga-lumes. Achei estranho, mas surgiram muitas idéias. Acho que foram atraídos pela pilha que eu havia jogado no rio (como se a pilha fosse quirera). Eu então tive uma idéia: colocar a pilha no anzol e descer a vara para pescar. Assim, poderia usar a eletricidade dele para recarregar minha pilha.

Ao descer a vara, mal a pilha encostou na água e um peixe-elétrico muito pesado e grande abocanhou a pilha, mas não foi arisco. Minha vara era feita de bambu e eu havia reforçado com fios de aço para aguentar porque sempre tive sorte de pegar peixes grandes. Eu levantei o bichão da água. Soltava raios como numa tempestade e senti meu rosto iluminar de tanta energia que ele tinha. Coloquei ele no chão, peguei umas luvas de borracha que tinha na minha tralha (eu fui eletricista por mais de 25 anos), abri a boca do bitelo, tirei a pilha e coloquei na lanterna. A lanterna parecia um farol daqueles que ajudam os navegantes no mar.

Eu não podia desperdiçar a oportunidade e mandar ele de volta para o lago. Já que estava ali para me ajudar mesmo, resolvi recarregar todas as pilhas da minha caixa de pesca e acabei tendo uma idéia ainda melhor: eu pesquei outro peixe-elétrico de igual tamanho (com a pilha também) e liguei cada um com um fio. Peguei uns galhos, gravetos e fiz um amontoado. Depois peguei o fio que eu tinha ligado na boca do primeiro peixe e encostei no fio que havia ligado no rabo do segundo e encostei um no outro perto dos gravetos. Deu um curto-circuito muito grande, uma verdadeira explosão e acabou pegando fogo. Eu havia conseguido fazer uma fogueira.

A hora foi passando e após saciar minha fome com tantos peixes assados que comi, graças àquela churrasqueira improvisada e principalmente aos meus conhecimentos em eletricidade e aos peixes-elétricos, voltei para casa quase de manhãzinha e só hoje contei este feito porque na época ninguém acreditaria.

(*)Bruno Simavi é pescador e contador de histórias verídicas

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