Avolumam-se críticas contra o comando do Ministério das Relações Exteriores, acusando-o de gravar imensamente o Tesouro Nacional com gastos anuais excessivos no pagamento de aluguéis e despesas de representação de embaixadores, cônsules e funcionários outros, no exercício de suas atribuições fora do País. O custo das atividades do Itamaraty, anualmente sempre mais elevado, vai, dessa maneira, suscitando, em quase todas as camadas, reações pesadamente contrárias não só porque os gastos contemplam também embaixadores recém-promovidos, ligados diretamente ao luxuoso gabinete do ministro, fazendo crescer muito os encargos governamentais, como porque, acompanhando esse lado paternalista da coisa, por si só criticável, transparece a disposição do Ministério de não colaborar com o Executivo no seu propósito, constantemente destacado pelo chefe da Nação, de reduzir, o mais que possa, as despesas consideradas supérfluas ou mordômicas praticadas generosamente por esse órgão e, ainda, por outros da administração federal. Ao que parece, o MRE, que, logicamente, tem suas vistas e considerações mais voltadas para o Exterior, isto em razão de suas atribuições especialmente consulares, nega a menor importância para as dificuldades financeiras que assoberbam o erário público nacional e, por isso, vai usufruindo dos bolsões de facilidades que caracterizam sua filosofia gerencial, enquanto o Presidente da República, olhos e ouvidos cerrados, deixa de atentar para as aberrações da área, maximé porque ele ajuda o Ministério a gastar seu volumoso orçamento com sucessivas viagens e estadas em longínquas paragens internacionais, como as que tem feito e que lhe conferem o título de mandatário presidencial que mais locomoções externas realizou em toda a história nacional. Sem mãos a medir, toda vez que lhe surge o desejado ensejo arruma as malas e toca para o aeroporto, razão pela qual já não há poltrona de aeronave que desconheça o seu peso. Sabe-se, então, onde vão parar ou ser aplicadas vultosas parcelas da receita, penosamente formada pelo sacrifício e a boa vontade de milhões de brasileiros convocados para movimentar com seus tributos o remo da barcaça patrícia, em virtude do que o perigo de naufrágio ronda sempre os cofres oficiais. Sabe-se disso e, portanto, nem temos necessidade de esquentar a encanecida cabeça afim de craniar título para esta nossa pretensiosa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado