Economia & Negócios

Fiesp deve lutar para baixar juros

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

As lideranças da indústria de Bauru estão propondo uma campanha para que as instituições financeiras reduzam as taxas de juros cobradas dos consumidores finais, tanto pessoas físicas quanto as jurídicas. Ricardo Marques Coube, vice-presidente estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), revela que a diretoria regional da entidade resolveu levar a proposta de uma campanha mais ampla para o Ciesp estadual e para a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Hoje, o diretor regional do Ciesp, José Luiz Miranda Simonelli, vai apresentar a proposta para os outros diretores regionais da entidade, numa reunião que se realiza em São Paulo. Na próxima semana, Coube fará o mesmo junto ao Departamento de Economia (Depecon) da Fiesp-Ciesp.

A intenção dos líderes industriais é que o movimento ganhe força como forma de pressionar os bancos a baixarem as taxas de juros praticadas para os clientes finais. “A situação chegou a um nível abusivo. Não faz sentido. Do ponto de vista dos fundamentos econômicos, não precisamos ter a maior taxa juros do mundo”, afirma.

O vice-presidente do Ciesp diz que as empresas precisam de taxas condizentes, para que possam ter uma disponibilidade de crédito para investimento em tecnologia e na produção. A questão, ressalta, é que os juros na ponta, ao tomador, no banco é extremamente alto, num custo sete ou oito vezes maior do que a Selic, que é o custo que o governo gira a dívida pública interna. “Não faz sentido. É um abuso! Os balanços dos bancos mostram isso, altos lucros que estão ótimos para eles (bancos), está excelente”, afirma, defendendo também a queda dos juros para as pessoas físicas, que pagam taxas exorbitantes.

O vice-presidente do Ciesp destacou que juro tem uma relação direta com risco de inadimplência e perda do dinheiro. Porém, afirma que não é possível acreditar que o Brasil representa o maior risco do mundo, quando a Argentina, na situação de insolvência que se encontra, tem taxas de juros menores. “Está na hora de dar um basta nessa política econômica”, reclama.

Coube defende que a Fiesp-Ciesp utilize toda sua força e potencial político, técnico e jurídico em favor desse propósito, que ele chama de “uma tremenda operação para baixar as taxas de juros na ponta.”

Para o vice-presidente, existe pouca tomada de crédito por parte das empresas porque as taxas de juros são muito altas, num círculo vicioso que precisa ser quebrado. Ele defende que a decisão não pode mais ficar nas mãos de economistas, mas sim refletir o trabalho de uma base. “O senhor Armínio Fraga tem que tomar medidas práticas e construtivas nessa direção”, afirma.

“Low profile”

Ricardo Coube disse que a Fiesp-Ciesp deverá adotar uma postura “low profile” (discreta) em relação a essa campanha, caso seja encampada a idéia nascida na Diretoria Regional de Bauru. Diga-se de passagem, essa vem sendo a postura adotada pelo presidente das duas entidades, Horácio Lafer Piva, de estar menos exposto na mídia, mas trabalhando fortemente nos bastidores.

Atualmente, a Fiesp participa de reuniões e opina em vários órgãos, como Banco Central, e ministérios. Isso tem trazido bons resultados para a indústria como um todo. Coube lembra que este é um ano eleitoral e é necessário fazer os trabalhos de forma que não sirvam de apoio ou trampolim para brigas e ataques entre candidatos.

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