Articulistas

Falência da segurança

(*) Marcos Cintra
| Tempo de leitura: 2 min

O seqüestro é hoje uma modalidade criminosa que pode ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar. Na maioria dos casos pode durar apenas algumas horas até que o criminoso tenha êxito em seu empreendimento de retirar dinheiro da vítima em algum caixa eletrônico. Esse crime que antes envolvia milhões de dólares, atualmente é praticado para se roubar algumas centenas de reais. A disseminação dos seqüestros envolvendo cada vez mais pessoas da classe média é mais um flagrante exemplo da falência da segurança pública no País.

O criminoso vê nessa modalidade uma atividade rentável, cujo risco é baixo em função do esfacelamento de um serviço público típico, que deveria atuar no sentido de preservar o que cada um tem de mais precioso que é a vida. Infelizmente, a porta primeiro precisou ser arrombada para somente depois ser trancada com cadeado. O poder público não foi capaz de implementar políticas preventivas na área da segurança pública. A falta de visão governamental fez com que o crime se alastrasse até chegar à crítica situação atual.

O ovo de serpente foi chocado pela negligência dos governos na área da segurança pública, que deixaram de investir na modernização operacional do policiamento ostensivo. A desmotivação dos policiais, fator que contribui para alavancar a corrupção; o sucateamento dos equipamentos; a falta de entrosamento entre os serviços de inteligência e a ação policial propriamente dita; e a dominação dos presídios pelo crime organizado são elementos determinantes para explicar a atual situação.

Por outro lado, há também a questão social a potencializar o crime. O empobrecimento da população, associado à educação precária, e ainda a facilidade para se adquirir armas de fogo e drogas criam um terreno ideal para o crime germinar e se propagar rapidamente. Esta combinação explosiva, estrutura operacional arrebentada e crise social, foi suficiente para gerar um ambiente de pavor na sociedade, onde a modalidade criminosa mais promissora e rentável do momento são os seqüestros.

A polícia alcançou vitórias importantes contra o crime nas últimas semanas. É preciso jogar pesado contra os criminosos para que seus tentáculos deixem de crescer e ameaçar as famílias brasileiras. O crime no Brasil ainda compensa. Os criminosos não vêem na lei uma ameaça. Aos legisladores cabe a tarefa de revê-la. A segurança pública demanda um novo modelo de ação. Sua falência é clara. Ações sociais que resgatem a dignidade do cidadão, a geração de empregos e de renda e uma polícia integrada entre si e com a comunidade são premissas básicas para se começar a equacionar este problema.

(*) O autor, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, é deputado federal pelo PFL/SP. Internet: www.marcoscintra.org E-Mail: mcintra@marcoscintra.org

Comentários

Comentários