Os sem-terra, que afirmam que vão continuar em Bauru até receber uma garantia do Incra de regularização das terras, anunciam que vão fazer outros protestos e não descartam acampar na cidade. “Não vamos arredar o pé de Bauru enquanto o Incra não atender nossas reivindicações. Vamos continuar fazendo nossos atos e, se for preciso, acamparemos aquiâ€, diz Roberto Carlos de Souza, integrante do MST.
Hoje, o grupo deve fazer mais uma assembléia para avaliar o protesto de ontem e definir os rumos do movimento. Ontem, no final do ato na Rondon, Souza já anunciava que o MST não vai dar trégua. “Se precisar, se o Incra não nos atender, vamos ocupar a pista de novo ou outro lugar da cidade. Para quem está há anos morando na beira da estrada, tanto faz onde acamparâ€, diz.
Simone Gonçalves, integrante do grupo, conta que está disposta a ficar na cidade quanto tempo for preciso. “Minha família está acampada há três anos na beira da estradaâ€, conta. De origem rural, Simone relata que sua família acabou mudando-se para Assis. Por conta das dificuldades de emprego na cidade, a família resolveu retornar para a área rural e por isso aderiu ao MST. “Meus pais e minha filha de 7 anos também estão na lutaâ€, frisa.
Além de agilidade na desapropriação de terras e regularização das famílias já acampadas nos municípios de Guarantã, Promissão, Presidente Alves e Piratininga, o grupo de sem-terra quer a libertação de quatro membros do MST do acampamento de Iaras que estão presos. Anteontem, após passeata pela área central da cidade, que culminou com protesto em frente à prefeitura, os sem-terra conseguiram audiência com o juiz Heraldo Garcia Vitta, titular da 2.ª Vara da Justiça Federal para saber do trâmite do processo de desapropriação de duas fazendas. A comissão de sem-terra saiu da reunião satisfeita com a explicação do juiz, que prometeu dar a sentença da desapropriação da fazenda Floresta 1 dentro de um mês.
Sobre a outra fazenda, a Pasto do Zinco, o juiz explicou que o processo ainda está em início de tramitação e que, portanto, não há previsão de sentença. Anteontem, antes do protesto em frente à prefeitura, os sem-terra participaram da manifestação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) contra a proposta do governo de alterar a Confederação das Leis Trabalhistas (CLT).