O grupo de sem-terra que está em Bauru desde quarta-feira à noite interditou a rodovia Marechal Rondon, na altura do km 342 (posto Graal), por cerca de 1h30 ontem à tarde. O protesto, cujo objetivo era pressionar o governo federal a desapropriar terras e legalizar áreas já ocupadas, obrigou a Polícia Rodoviária a desviar o trânsito da Rondon para vias da área urbana.
Apesar da pista Capital/Interior ter sido liberada logo no início do ato, o resultado foi congestionamento dentro da cidade, principalmente nas avenidas Nuno de Assis e Nações Unidas. Para se ter uma idéia, o trajeto de carro entre a Vila Santa Luzia e o Higienópolis, que em dias normais é cumprido em cerca de cinco minutos, ontem à tarde exigiu mais de meia hora.
A principal reivindicação dos sem-terra foi uma audiência com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para tratar da desapropriação das fazendas Pasto dos Zinco e Pasto do Planalto, localizadas em Guarantã, e a entrega de título de posse aos assentados na fazenda São José, em Piratininga. “Queremos que o Incra venha a Bauru e assuma o compromisso de desapropriação e regularização de terras diante de todo o grupoâ€, explica Ângelo Diogo Zanin, um dos integrantes do MST.
Com bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e cartazes cobrando reforma agrária e justiça, cerca de 80 pessoas ocuparam a pista da Rondon no sentido Interior/Capital por volta das 16h30. Rapidamente, a Polícia Rodoviária desviou o trânsito para a avenida Nações Unidas, saindo na rodovia novamente pela avenida Nuno de Assis.
Após alguns minutos de protesto e uma pequena caminhada pela pista, os sem-terra passaram para a faixa do sentido Capital/Interior, bloqueando-a. A Polícia Rodoviária liberou a primeira pista, mas precisou desviar o trânsito no sentido contrário. Os veículos, incluindo os caminhões carregados, foram desviados para a Nuno de Assis, seguindo pelas avenida Nações Unidas ou Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul para voltar à Rondon.
Sem ter nenhum posicionamento do Incra, os sem-terra liberaram a pista às 18 horas, após negociação com a Polícia Militar, que estava prestes a intervir, com organizadores do movimento. O grupo de sem-terras retornou, em passeata, para os sindicatos dos Bancários e Metalúrgicos, onde está acampado. “A fazenda Pasto do Zinco, em Guarantã, já havia sido desapropriada em 2000, mas os donos entraram com recurso, que foi aceito pela Justiça. As 37 famílias, que já estavam colhendo as lavouras plantadas na fazenda, ficaram sem as terrasâ€, conta Zanin.
Ele afirma que os sem-terra querem um posicionamento do Incra sobre a fazenda Pasto do Zinco ou libere outra área já desapropriada para as 37 famílias. Já as fazendas Pasto do Planalto, em Guarantã, e São José, em Piratininga, foram desapropriadas, mas o Incra ainda não emitiu o título de posse aos assentados. “Queremos que o Incra emita o título de posse para 40 famílias assentadas na fazenda Pasto do Planalto e as 34 famílias da fazenda São José e também verbas para eletrificação rural e abertura de estradaâ€, frisa. O JC tentou, mas não conseguiu contato com o Incra.