Economia & Negócios

Mais de mil funcionários da Ferroban continuam afastados de suas funções

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Os 1.046 trabalhadores da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban) que entraram em licença remunerada de 30 dias no início de fevereiro (conforme reportagem do JC de 14/2) continuam afastados do serviço. A informação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Paulista, Waldemar Raffa. Desse total, cerca de 200 seriam de Bauru.

Antes disso, 14 funcionários de Bauru e 20 de Rio Claro haviam sido demitidos. Na avaliação de Raffa, a estratégia de ter prolongado o tempo de licença remunerada dos trabalhadores - que deveria ter acabado no primeiro dia deste mês - seria uma forma de incentivar uma espécie de “demissão forçada”.

“A Ferroban disse, em fevereiro, que estudava colocar em prática um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Mas a continuidade da licença desses cerca de mil trabalhadores mostra que a empresa está tentando uma demissão forçada, porque todo esse clima afeta psicologicamente o funcionário e toda sua família”, avalia.

De acordo com Raffa, a Ferroban estaria demitindo trabalhadores e contratando funcionários terceirizados. Por essa razão, na visão do sindicato não existe um real motivo para as demissões.

“A intenção da empresa é pressionar os empregados, de várias formas, para que aceitem a proposta de demissão forçada com valores bem abaixo do que os trabalhadores têm direito com relação à indenização”, observa.

Raffa diz que o sindicato denunciou o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em Campinas, que teria agendado uma mesa-redonda para o próximo dia 25 entre representantes da entidade e da Ferroban.

“O que o sindicato quer é que, se a empresa realmente tem necessidade de reduzir o quadro de funcionários, que indenize os trabalhadores de acordo com o que eles têm direito. Isso é obrigação”, destaca Raffa.

O presidente do sindicato também acusa a empresa de estar discrinando os trabalhadores que foram afastados.

“A Ferroban substituiu o crachá dos funcionários que ficaram trabalhando e os que foram afastados estão proibidos de entrar na empresa. Isso é discriminação e a tortura psicológica que está sendo feita contra eles é uma forma de assédio moral. Já denunciamos isso ao Ministério Público Federal”, afirma.

Atualmente, a Ferroban - que está passando por mudanças organizacionais - possui 3,1 mil funcionários.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da ferrovia, mas a resposta foi de que a empresa não está se pronunciando, no momento, sobre esse assunto.

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