Saúde

Apenas os homens podem ser daltônicos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 7 min

A visão é um dos sentidos que mais fazem falta para o ser humano. Uma das doenças que afetam a visão é o daltonismo, onde o indivíduo não consegue distinguir uma cor da outra. Ela afeta apenas os homens, por ser uma falha relacionada ao gene masculino.

Qualquer objeto que o indivíduo enxerga, são raios de luz que refratam, passam pela córnea, pelo cristalino (lente do olho), atravessam o vítrio e vão até a retina. Lá ficam as fibras nervosas, que se juntam no nervo ótico e, é através dele que a informação chega ao cérebro.

A oftalmologista Cristiane Menezes Campagna explica que as lesões que podem ocorrer na visão afetam alguma parte desse caminho, distorcendo a informação que chega ao cérebro, dificultando a visão em relação a cores, contrastes e contorno.

Daltonismo

O daltonismo altera a visão das cores. Cristiane conta que há três tipos de receptores na retina que são os cones vermelhos, verdes e azuis. “O estímulo desses três cones em diferentes intensidades é o que vai dar toda a gama de cores que o indivíduo pode enxergar”, afirmou.

A médica diz que aquelas pessoas que têm deficiência na visão de cores, têm problema com um cone ou mais . O mais comum, que é o daltônico, tem a deficiência nos cones verdes. Ele não distingue o vermelho do verde. As outras cores são todas normais. Há os que têm deficiência nos cones vermelhos, enxergam a cor vermelha como preto. Existem os que têm deficiência nos cones azuis. Não enxergam o amarelo, que para eles é branco.

O mais comum, 5% da população, é o daltonismo. Ele só aparece nos homens. Não existe mulher daltônica. Isso porque o daltonismo é uma herança genética ligada ao sexo. “O homem que tem a doença no cromossomo será daltônico. A mulher pode até ter a doença. Ela será portadora e poderá transmitir para o filho, mas nunca será daltônica”, explica Cristiane.

Não há tratamento para o daltonismo. Cristiane conta que o daltônico não sente falta da cor que ele não distingue. Para ele é normal. Muitos, de acordo com ela, nem sabem que são daltônicos. “Fica um pouco complicado para quem vai fazer auto-escola, identificar o farol. Mas fora isso, é tudo normal”, afirmou.

Estrabismo

O estrabismo, outra doença da visão é um desvio ocular, ou seja, os dois olhos não funcionam ao mesmo tempo. Cristiane revela que existem vários tipos de estrabismo, mas os mais comuns são os horizontais. É o que leva o olho para dentro ou para fora. Esses são 90% dos casos. Há também os estrabismos verticais, quando um olho fica mais para cima e outro para baixo. “Esses são bem mais raros. Os mais comuns são os horizontais”, afirmou.

O estrábico pode tanto enxergar bem, quanto ter problema na visão. Normalmente, o estrabismo aparece na infância. A criança enxerga bem com o olho que não desvia e o outro fica fraquinho. Geralmente, de acordo com Cristiane, o uso de óculos corrige esse defeito. O tampão é colocado no olho que não desvia. A criança é obrigada a forçar mais aquele olho que está desalinhado e passa a enxergar bem com ele também. Esse tratamento é feito até os 7 anos.

Carla Cristina Manga, 33 anos, contou que sua filha, Marina, teve estrabismo. “Eu percebi logo de pequenininha, com uns 2 anos mais ou menos, e levei ao médico. Ela usou o tampão e corrigiu. Foi um tratamento rápido. A única dificuldade foi fazer com que Marina se adaptasse a usar os óculos e o tampão. Ela sempre tirava. Então, eu resolvi amarrar com uma cordinha e ela era obrigada a ficar, foi assim que ela se acostumou”, disse.

Hoje, Marina tem 8 anos. Seus olhos são normais, alinhados e ela enxerga bem com os dois.

O estrabismo também pode ser causado por uma lesão na retina do olho que desvia. Cristiane diz que como o olho não tem estímulo para centralizar e desvia. Este não tem tratamento. “O que se pode fazer é operar para pôr no lugar, para ficar esteticamente bom, mas o olho sempre será mais fraco, com menor visão.”

Além desses, há também os estrabismos paralíticos. Pessoas que sofreram um acidente ou que têm lesão de algum nervo que faz o movimento do olho. Para esses, o único tratamento é cirúrgico.

De acordo com Cristiane, a visão independe um pouco do estrabismo. Se a pessoa tiver uma lesão apenas no nervo que faz o olho se mexer, por exemplo, ela terá uma visão normal.

Cristiane aconselha que os pais fiquem atentos ao estrabismo porque é uma doença fácil de tratar, se percebida precocemente. Se não corrigir quando criança, depois de adulto, essa pessoa, provavelmente, terá uma deficiência visual no olho que ficou desviado. “ A única coisa que se pode fazer no adulto estrábico é uma cirurgia para corrigir a estética, mas a visão já estará perdida, não acompanha”, explicou.

Outras doenças

O descolamento de retina é uma doença comum em pacientes míopes e pacientes que sofrem algum traumatismo ocular. O tratamento, nesses casos, é a cirurgia de retina que deve ser feita com urgência. Outras doenças, de acordo com Cristiane, são os derrames oculares - obstruções vasculares no fundo de olho - as inflamações intraoculares, que podem ser de causa infecciosa ou inflamatória. Todas têm tratamento.

As doenças externas seriam as conjuntivites, as seratites, úlceras de córnea, comum em usuários de lente de contato que não têm uma higiene adequada.

Cristiane orienta que, para evitar doenças ou inflamações nos olhos, as pessoas não devem nunca levar as mãos aos olhos, não coçar, ler sempre com boa iluminação e, de preferência, não ler em movimento.

Ela lembra que o computador não é prejudicial aos olhos. A pessoa que fica muito tempo com os olhos na tela pisca menos e, geralmente, está em um ambiente de ar-condicionado. Essas duas situações ressecam os olhos, que ficam sem lubrificação causando um problema na córnea, a seratite de olho seco. O olho começa a arranhar. “Quem usa computador deve piscar mais ou usar um lubrificante se sentir o olho arder, ou ainda parar de tempo em tempo para descansar a visão”, afirmou.

Outro alerta da oftalmologista é sobre os óculos de sol sem filtros contra os raios solares. Ela diz que o uso desses óculos é pior do que ficar sem eles. Isso porque o olho, se a lente é escura, interpreta que o ambiente está escuro, então a pupila dilata. Como a lente não tem filtro, o raio de sol atinge a retina, queimando-a.

Cegueira

As principais causas da cegueira, atualmente, são a retinopatia diabética e doença macular relacionada à idade. A primeira é uma alteração que ocorre nos vasos da retina nos pacientes diabéticos. É uma cegueira que pode ser evitada e tratada. A outra é uma alteração que ocorre no centro da visão. Para esta última, de acordo com a médica, não se sabe a causa. O tratamento também é muito difícil.

O glaucoma, pressão alta do olho com lesão do nervo ótico e alteração do campo visual, também pode levar à cegueira. É uma doença muito importante, de acordo com Cristiane, porque aparece depois dos 40 anos e é assintomática, ou seja, o paciente tem pressão alta e não sente nada. “O diagnóstico só é feito quando detectamos a pressão alta e é aí que começa o tratamento. Então, o paciente pode estar com a pressão alta há anos, vai lesando o nervo, perdendo o campo e quando ele se dá conta, já está enxergando menos e o que perdeu é irrecuperável. Só é possível tratar a partir do ponto que está”, afirmou.

A médica lembra que as pessoas que já têm 40 anos ou mais devem consultar um oftalmologista pelo menos uma vez por ano para medir a pressão intraocular para a prevenção do glaucoma.

A catarata, se não tratada, também pode causar a cegueira. A médica conta que isso é mais comum nos países pouco desenvolvidos. “Essa é a maior causa de cegueira evitável, algo fácil de resolver. A técnica para corrigir a catarata é muito simples e rápida. Ao meu ver nem é uma causa de cegueira. Têm muito pacientes cegos por catarata, mas é uma coisa que não deveria existir”, afirmou.

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