O tato, de acordo com o neurologista Pedro Geraldo Hortense, está ligado na pele através de terminações nervosas que vão até a medula e daí, um outro tipo de enervação que vai até o cérebro, traduzirá a sensação interpretada. Essa sensação é zero quando a pessoa tem alguma lesão que altera o sistema nervoso. O alcoolismo pode provocar uma doença que faz perder a sensibilidade dos membros inferiores ou superiores.
Os distúrbios comuns que atingem o sentido do tato são a anestesia, que é a falta de tato, e a analgesia que é a ausência de dor.
As doenças da sensiblidade podem ser classificadas em três tipos: aquelas que vão alterar o sistema nervoso periférico, as lesões medulares e as lesões cerebrais.
Hortense explica que há várias alterações do cérebro que prejudicam a sensibilidade. Uma delas é o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que é o mais comum, onde a pessoa perde a sensibilidade de um lado do corpo, por exemplo. “Vale lembrar que uma lesão no cérebro afeta o lado oposto do corpoâ€, disse.
Das lesões medulares, o trauma é o mais comum. Um acidente de carro, por exemplo, onde a pessoa pode perder a sensibilidade das pernas.
Outras alterações medulares são os tumores e as doenças infecciosas, chamadas de mielites, comuns em países tropicais.
O médico disse que as lesões nos nervos periféricos mais comuns são causadas pelos diabetes, que faz a pessoa perder a sensibilidade nos pés; o alcoolismo que também provoca a falta de sensação nos membros; as intoxicações por metais; e as doenças inflamatórias.
Hortense detalha que alguns tipos de derrames podem ser revertidos, tumores têm condições de ser retirados e a doença ser tratada. Esses problemas que provocam a perda da sensibilidade causam transtornos na vida das pessoas que sofrem para se adaptar à falta de tato.
Hortense lembra que a hanseníase (lepra) é uma doença que tem como primeiro sintoma a perda de sensibilidade. “Essa doença altera a sensibilidade de frio e calorâ€, disse. A hanseníase é crônica e infecciosa, causada por uma bactéria. Esta bactéria é semelhante à que causa a tuberculose e foi identificada em 1874. Acredita-se que o artista Aleijadinho tenha morrido de hanseníase devido aos sintomas, mas não se sabe ao certo porque naquela época a medicina era pouco desenvolvida.
Os primeiros sinais da doença são manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele; perda de sensibilidade, como se a região estivesse anestesiada; sensação de dormência ou formigamento na região; insensibilidade à dor, ao tato e ao calor; e queda dos pêlos sobre as manchas.
Hortense observa que há outros tipos de sensibilidade. Por exemplo, com os olhos fechados, a pessoa com um objeto na mão consegue determinar de que material ele é feito. Seu formato e até concluir qual é o objeto que está segurando. “Existem doenças que podem alterar esse tipo de sensibilidadeâ€, afirmou.
Outro tipo de sensibilidade do ser humano é a grafistesia, ou seja, ele consegue determinar que letra ou número está sendo escrito na palma da sua mão ou no seu braço, com os olhos fechados. Alguns tipos de lesão também podem afetar essa capacidade.
Um sistema complexo de receptores sensitivos registra os impulsos referentes a estímulos externos, posição corporal e processos autônomos internos, como pressão arterial. As fibras sensitivas que registram as sensações como dor, temperatura, posição e tato passam através dos nervos periféricos e das raízes posteriores, e penetram na medula espinhal. Uma vez dentro da medula, os impulsos sensitivos atingem o córtex sensitivo do cérebro (parte superficial).
A qualidade geral da sensação (dor, frio, agradável ou desagradável), ao nível de percepção não é feita com toques suaves. Para uma interpretação plena, um terceiro grupo de neurônios sensitivos transporta os impulsos estimulados até o córtex sensitivo do cérebro. Neste local, os estímulos são localizados e realizadas as discriminações entre eles.