Regional

Situação hídrica é crítica no País

(*) Da Redação
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A situação hídrica das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí ainda preocupa, deixando a região sempre em estado de alerta, embora as chuvas do final de dezembro para cá tenham causado boa recuperação dos reservatórios. A avaliação é do secretário-executivo do Comitê de Bacias, Luiz Roberto Moretti, e o coordenador de projetos do Consórcio de Bacias, Sérgio Razera.

A precária situação de quantidade e qualidade das águas dos mananciais das três baciais hidrográficas da região também pode ser notada em nível de Brasil e de mundo. A escassez de água é uma das principais preocupações neste século. Para minimizar o problema e garantir o mínimo de abastecimento às populações, técnicos e estudiosos no assunto insistem que uma das principais ações é o investimento maciço, pelos municípios, em tratamento de esgoto. Essa medida é decisiva para melhorar a quantidade e a qualidade das águas. “No âmbito da bacia, o índice estimado de tratamento é de 21%”, afirma Razera. Em 1989, o índice médio era de 3%.

Os 58 municípios, do Estado de São Paulo e de Minas Gerais, reúne cerca de 4 milhões de habitantes, sendo considerada uma região de grande desenvolvimento econômico, onde existem conflitos pelo uso da água. O período mais crítico na região é durante a estiagem. No ano passado, a vazão do rio Piracicaba chegou a 16 metros cúbicos por segundo.

O volume de água armazenado pelo Sistema Cantareira é de 57,2%. A transferência de água está em 26,2 metros cúbicos por segundo. No sistema maior, Jaguari-Jacareí, é de 60,23%; barragem do Cachoeirinha, 44,91% e Atibainha, 48,71%. “Com isso, a situação das bacias deve ser melhor este ano”, acredita Moretti.

O grande conglomerado populacional que cresce rápido e desordenadamente, a má ocupação do solo e a falta de saneamento básico são alguns dos fatores que provocam o aumento da poluição e o conseqüente agravamento da situação dos mananciais que compõem as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Devido à pouca oferta de água, os moradores de várias cidades na região sentiram na pele o colapso no abastecimento. Destacam-se entre elas, Sumaré, Hortolândia e até Saltinho e Rio das Pedras.

Moretti defende também a racionalização do uso da água e o controle de perdas que já vem sendo desenvolvido por vários municípios da bacia. O índice de perda nas bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí é considerado alto, acima de 30%. Ele também destaca o Plano Diretor de Reflorestamento importante para aumentar a produção de água, pois o plantio de árvores nas margens dos mananciais diminui a erosão e o assoreamento dos leitos dos rios. Para ele, a cobrança pelo uso da água deve agilizar as obras de tratamento de esgoto. “O nível de investimento em projetos e obras ainda está abaixo do desejado”, avalia.

Razera informa que pelo Relatório de Situação dos Recursos Hídricos de 1999, o uso de 40 metros cúbicos por segundo, nos anos de 1999 e 2000. Já a previsão para 2005, é de 43,6 metros cúbicos por segundo e, para 2010, 46,5 metros cúbicos. Os dados também constam do Plano de Bacias. Já a disponibilidade mínima natural (calculada, mas não medida) é de 37 metros cúbicos por segundo. “A demanda é maior que a oferta”, reforça, revelando a situação crítica em relação à qualidade e quantidade da água.

Razera avalia que a quantidade de água está principalmente ligada à degradação das nascentes, devido ao crescimento desordenado das cidades. Ele sugere como medidas mais cuidado ao fazer desmatamento, devendo-se valorizar as nascentes e olho d’água.

(*) Jornal de Piracicaba

Falta de água é preocupação mundial

No mundo inteiro, a preocupação é com a escassez de água. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) informam que dos mais de 6 bilhões de habitantes, mais de 1 bilhão não dispõe de água potável de boa qualidade e cerca de 1,7 bilhão não tem instalações sanitárias decentes.

No Brasil, o potencial de recursos hídricos significa 53% da reserva da América do Sul e 12% do total mundial. São cerca de 5.604 quilômetros cúbicos/ano, considerando-se somente a contribuição do território brasileiro, e 7.906 se for levada em conta as contribuições de mananciais de outros países integrantes da Bacia Amazônica.

Temos, de fato, a maior bacia fluvial do mundo, porém nossas taxas de desperdício de água são assustadoras, estando estimadas em 40%. A maior escassez de água no Brasil verifica-se no Nordeste e é decorrente da falta de gerenciamento dos recursos hídricos e da crescente degradação da qualidade da água, devido ao lançamento de esgotos nos rios.

O volume total de água na terra é da ordem de 1,44 bilhão de quilômetros cúbicos, distribuídos da seguinte forma: 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos nos oceanos, 29 milhões nas geleiras e calotas polares, 8,5 milhões no subsolo, 200 mil nos lagos e rios e 13 mil quilômetros cúbicos na atmosfera. Ou seja: de toda a água do Planeta, cerca de 97% são de água salgada. Dos 3% de água doce, 2,3% estão armazenados nas geleiras e calotas polares e somente 0,7% é passível de exploração, o que dá cerca de 9 milhões de quilômetros cúbicos de água doce.

Além disso, 97% da água do Planeta estão nos mares, portanto salgada, não serve nem para uso industrial. A água mais pura da natureza está nas calotas polares e nas geleiras (2,3% da água do Planeta). Está, assim, numa região fria e distante. Os lençóis subterrâneos, lagos, rios e a atmosfera guardam o 0,7% restante e é apenas esta a quantidade disponível ao homem.

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