A dedicação cada vez mais intensa do trabalhador às atividades profissionais pode causar problemas de saúde e provocar baixa produtividade. A opinião é do professor doutor da área de psicologia organizacional e do trabalho e coordenador do Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho†(Unesp), campus de Bauru, Luiz Carlos Caneo.
Ele salienta que o profissional que abre mão da suas horas de descanso em prol do trabalho pode sofrer diversos males que, aparentemente, não são associados à estafa.
Os sintomas tanto podem ser visíveis quanto invisíveis. No caso dos primeiros, estão problemas como varizes (naqueles que ficam muito tempo em pé ou sentado), dores nas costas, cansaço e sonolência.
No caso dos sintomas invisíveis, o professor destaca a falta de motivação para o trabalho, a irritabilidade e a apatia. “Muitas vezes, nem o empregador nem o funcionário percebem que esses problemas foram acarretados pelo excesso de carga horáriaâ€, salienta.
Ele diz ter especial preocupação com aqueles trabalhadores que têm baixa renda. “Essa população não tem muitos recursos para buscar o lazer. Além disso, são muito mais dependentes do trabalho para a sobrevivênciaâ€, explica.
Caneo salienta que a estafa pode atingir pessoas das mais variadas classes sociais, mas que prejudica com mais intensidade quem não tem meios para se defender. “Um executivo, por exemplo, pode extravasar seu estress viajando, passeando ou até mesmo buscando ajuda da psicanáliseâ€, destaca.
Para amenizar os prejuízos trazidos pelo excesso de dedicação ao trabalho, o professor destaca que o profissional deve reservar momentos para cuidar de si próprio. Jogar bola com os amigos pelo menos uma vez por semana, cuidar do jardim, conversar com os amigos, visitar familiares, tudo é válido desde que traga prazer para a pessoa. “Mesmo que não tenha muitos recursos para o lazer, a pessoa tem de fazer o que gostaâ€, disse.