Política

Arquivo constrói a história de Bauru

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 850 mil processos guardados no arquivo central da administração municipal relatam a história contemporânea de Bauru, registrada no período entre os anos de 1976 a 2001. São desde solicitações simples, como pedidos de podas de árvores, até processos polêmicos, como o que regularizou a concessão do transporte coletivo urbano à Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), no início da década de 70.

Visto pela maioria das pessoas como um lugar empoeirado, cheio de insetos e com pilhas de papéis velhos, o setor de arquivos da Prefeitura de Bauru é considerado o primo pobre entre as dezenas de sessões da administração municipal.

Mas ao contrário da imagem geralmente antipática que se tem do ambiente, o que se vê é a prestação de um serviço de qualidade. E é a partir de uma solicitação que se compreende a importância do setor de arquivos da administração municipal.

A diretora da Divisão de Arquivo Geral da Prefeitura, Márcia Giacon Negrato, conta que, diariamente, são encaminhados para a seção cerca de 300 processos com pedidos de arquivamento. Na demanda é possível encontrar desde solicitações corriqueiras até matérias que geraram polêmicas.

“Muita gente acha que o arquivo é depósito de lixo”, diz. Esse conceito preconceituoso é desfeito quando há necessidade de se localizar um processo para justificar alguma reclamação ou embasar demandas judiciais. A localização é rápida. A Divisão de Arquivo está ligada à Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos.

Perda

O chefe de seção Osvaldo Avallone Jr., no setor há 18 anos, faz uma observação importante. Segundo ele, o arquivo central da prefeitura registrou uma perda irreparável em 1983. À procura de mais espaço para ajeitar a divisão, servidores desavisados se desfizeram de uma grande quantidade de processos, inclusive documentos datados do início do século passado.

A trágica operação resultou na perda de boa parte da memória administrativa da cidade. “Infelizmente, incineraram parte da documentação sem a autorização do prefeito”, conta o chefe da seção. O descuido, porém, serviu para chamar a atenção das autoridades, que passaram a dar mais apoio ao setor.

Avallone diz que, hoje, o arquivo central da Prefeitura está organizado. Foi criada a Comissão Central de Avaliação de Documentos, que tem como tarefa primária analisar os documentos que serão eliminados gradativamente nos próximos meses.

Cada secretaria municipal criou um grupo de trabalho que terá a mesma responsabilidade de garimpar documentos considerados de importância, ou com contornos históricos, daqueles que podem ser eliminados.

Outra providência que está sendo tomada pela administração é a ampliação do prédio que abriga o arquivo, na área do almoxarifado. O imóvel está ganhando mais 40 metros quadrados de área construída, o que irá desafogar o arquivamento dos processos, hoje abrigados num espaço de 80 metros quadrados.

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