Piratininga - Os moradores de Piratininga aprovaram a idéia da prefeitura, de dar prêmios a quem mantém a casa livre de criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Sem multas, como acontece em outras cidades, e com a possibilidade de ganhar até um tanquinho de lavar roupa, a população chega a esperar o fiscal de saúde bater à porta.
Desde o dia 8 de março, o prefeito Odail Falqueiro (PFL) promove um sorteio toda sexta-feira, no posto de saúde municipal. O contemplado recebe a visita de um agente de saúde e se sua casa estiver livre de criadouros do mosquito da dengue garante seu “presenteâ€. Os vizinhos da esquerda e da direita também podem ganhar prêmios. Para isso, basta não ter recipientes com água parada em casa.
Os sorteios continuam até a última semana de maio. Segundo Falqueiro, a proposta só recebeu elogios até agora. “Tem lugares em que a população cria uma certa barreira contra os agentes de fiscalização porque sabe que pode receber uma multa. Aqui não; o pessoal até fica esperando a visita dos agentes em casaâ€, comemora.
Piratininga não registrou nenhum caso de dengue neste ano, mas já foram encontradas larvas do Aedes na cidade. Para o prefeito, isso confirma a necessidade de um amplo trabalho de prevenção.
“Não vou dizer que a cidade está às mil maravilhas, porque ainda há o risco da dengue. Podemos dizer que montamos uma megaoperação de combate ao mosquitoâ€, conta Falqueiro, se referindo aos projetos que ele implantou na cidade. Entre eles, a nebulização dentro dos quintais, os mutirões voluntários de limpeza, encenações didáticas nas escolas e, claro, o sorteio de prêmios.
Na opinião de Maria Helena Cardoso Swenson, coordenadora de Saúde do município, ainda existe o risco de dengue em Piratininga, apesar das estatísticas positivas. “Ainda existe criadouro (do Aedes aegypti) na cidade; então, o problema continua. A população tem que vigiar as casas constantemente, e os prêmios são um incentivoâ€, afirma.
Dona de casa
A idéia de sortear prêmios para combater os criadouros do Aedes aegypti foi da filha do prefeito, Karen Cristina Falqueiro, enfermeira do município. Segundo o prefeito, as urnas estão mais cheias de cupons do que o esperado. “O morador que deposita seu nome na urna vai chegar em casa preocupado com a limpeza. E, com certeza, ele vai comentar com os vizinhos, que vão se preocupar tambémâ€, explica.
Falqueiro conta que a escolha de utensílios domésticos como premiação foi feita para atingir as donas de casa, maiores responsáveis pela limpeza dos quintais. No sorteio que a reportagem do JC acompanhou, o prêmio principal foi um tanquinho de lavar roupa. Para o vizinho da esquerda, foi um ventilador; para o da direita, um jogo de panelas.
Como o gasto total com a compra dos prêmios será de cerca de R$ 3 mil, Falqueiro diz que procurou a consultoria jurídica da prefeitura para certificar-se de que não vai haver nenhum problema legal no futuro.
Segundo ele, os vereadores também apóiam a idéia, e já há empresários interessados em doar brindes para os sorteios. “O dinheiro público está sendo gasto com a saúde da população. Isso é o que é chamado de relevante interesse públicoâ€, explica.
Para Falqueiro, o investimento está sendo feito na prevenção da doença. â€œÉ melhor ficar omisso, mandar os agentes para o trabalho de rotina e depois gastar com um doente?â€, indaga. E encerra sua defesa com outra pergunta: “E depois, se alguém morre de dengue, quanto vale a vida dessa pessoa?â€.