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Sem-terra permanecem em Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Os sem-terra continuam em Bauru, com planos de montar acampamento na cidade nos próximos dias. O grupo, que está em Bauru desde quarta-feira passada, reivindica uma audiência com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para tratar da desapropriação das fazendas Pasto dos Zinco e Pasto do Planalto, localizadas em Guarantã, e a entrega de título de posse aos assentados na fazenda São José, em Piratininga.

A decisão sobre o acampamento em Bauru deve ser tomada hoje. “Já está decidido que vamos ficar em Bauru. Provavelmente amanhã (hoje) cedo vamos fazer uma assembléia para decidir sobre o acampamento e depois sair para procurar uma área”, afirma Leonildo Dionísio Ribeiro, coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Segundo ele, as barracas deverão ser montadas em uma área do perímetro urbano, já que o objetivo dos sem-terra é conseguir uma audiência com o Incra, e não ocupar novas terras. “Vamos escolher uma área dentro da cidade para acampar até negociar com o Incra a emissão do título de posse e assentamento de famílias que estão em fazendas já desapropriadas”, explica.

Nesta semana, de acordo com Ribeiro, os sem-terra pretendem pedir ajuda ao prefeito Nilson Costa, ao bispo diocesano dom Luiz Antonio Guedes e ao comando da Polícia Militar (PM) em Bauru para tentar a audiência com o Incra. O grupo de Bauru também deve reivindicar às autoridades a liberação dos 16 sem-terra presos na fazenda da família de Fernando Henrique Cardoso, em Minas Gerais.

Ontem pela manhã, com bandeiras do MST, os sem-terra participaram da missa de Ramos celebrada na Catedral do Divino Espírito Santo pelo bispo dom Luiz Antonio Guedes. “Todo o grupo, católicos, evangélicos ou espírita, assistiu a missa porque queremos dar sentido ecumênico ao movimento”, conta um dos integrantes do MST, que preferiu não se identificar.

Até o início da noite, o grupo de sem-terra - cerca de 250 pessoas, segundo a coordenação do movimento - estava alojado nos sindicatos dos Bancários e Metalúrgicos, ambos na região central da cidade. Os sem-terra contam com contribuições de sindicatos e da Igreja Católica para comprar alimentos, além de dinheiro arrecadado de casa em casa na cidade.

Os sem-terra, oriundos de Guarantã, Promissão e Presidente Alves, chegaram a Bauru, na última quarta-feira à noite, a pé, em um movimento denominado por eles como Marcha por Justiça e Paz. Na quinta-feira fizeram passeata pela cidade e protesto em frente ao prédio da prefeitura e na sexta-feira bloquearam a rodovia Marechal Rondon por 1h30.

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