Política

Oposição insinua negociação de cargos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Os vereadores João Parreira (PSDB) e José Clemente Rezende (PSB) insinuaram ontem, durante discursos na reunião semanal da Câmara Municipal, que a “harmonia e o entrosamento” pregados pelo prefeito Nilson Costa (PPS) com o Poder Legislativo estariam sendo selados com o oferecimento de cargos na administração.

Ao inaugurar a Creche e Escola Madre Teresa de Calcutá, no último sábado, Nilson pregou um maior “entrosamento e harmonia” com os vereadores para aplacar a crise de governabilidade instalada em seu governo nas últimas semanas, devido o surgimentos de denúncias na administração.

Embora não tenha citado nomes e nem afirmado de forma direta, Parreira foi o mais enfático em relação ao assunto. “Não se pode fazer um pacto com meia-dúzia de vereadores. O pacto é com a sociedade organizada”, prega.

O tucano exige que o “entrosamento e a harmonia” propostos pelo prefeito com o Legislativo sejam firmados com transparência. “O pacto tem que ser feito numa sala aberta, transmitido pela televisão. Não pode ser feito em uma mesa pequena, mas em uma mesa grande. Não em uma mesa onde se reivindica cargos, mas numa mesa onde se discute os problemas da cidade.”

Nos bastidores do Legislativo, as especulações apontavam para mudanças no comando das sete Administrações Regionais esparramadas pelo Município.

Semelhança

O vereador José Clemente Rezende (PSB) usou de ironia para insinuar que a administração municipal teria criado um ‘balcão de negócios’ na Câmara para garantir sua sustentação política. Para comparar a situação que estaria vivendo o Município, Clemente decidiu contar uma história da tribuna.

Segundo ele, um prefeito de uma “cidadezinha” da Região Nordeste também tinha dificuldades para tocar seu governo. “Ele acusava e culpava a imprensa, os vereadores pelo insucesso. Decidiu negociar os cargos com os vereadores para contornar a crise ao invés de eliminar essa prática do é dando que se recebe. Isso aconteceu no Nordeste, mas qualquer semelhança aqui é mera coincidência.”

O assunto teve seqüência com outros parlamentares. O vereador José Humberto Santana (PV), por exemplo, garante que não foi convidado para conversar sobre o pacto entre o Legislativo e o Executivo.

Santana acredita que a cúpula do Palácio das Cerejeiras avalia que os vereadores que aderirem ao pacto do “entrosamento e da harmonia” entre os poderes garantirão a solução para o problema da governabilidade.

“Até acho que o caminho é por aí. Mas acho que a conversa tem que ser de forma aberta, transparente, sem barganhas. Não entendo, subjetivamente, que esse pacto é parar amarrar os vereadores. E não quero conversar com intermediários”, avisa.

Já o vereador José Carlos Batata (PT) diz que Nilson acena com a possibilidade de se entrosar com o Legislativo, mas em nenhum momento toma atitudes para viabilizar essa ação.

“As entidades organizadas da cidade não são convidadas a participar das decisões. As atitudes são importantes. Só palavras não adiantam”, cobra.

Na mesma linha de raciocínio, o vereador Luiz Carlos Valle (PSB) sugere ao prefeito a aplicação do verbo executar. “O Legislativo tem que fiscalizar. Se a administração acertar, vamos, então, dar respaldo. Não sou intransigente, de oposição radical.”

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