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Hora de gerar riqueza

(*) Marcos Cintra
| Tempo de leitura: 2 min

Nos primeiros 80 anos do século 20 a economia brasileira registrou um desempenho altamente positivo. Em média, o produto nacional cresceu mais de 7% ao ano.

Nas últimas duas décadas, o resultado da atividade produtiva nacional não foi dos mais expressivos, crescendo em média 3% ao ano.

Com o Plano Real, em 1994, a economia brasileira recuperou a estabilidade de preços, proporcionando ganhos reais significativos aos salários, minimizando a miséria e a pobreza no País.

Porém, nos últimos três anos, os ganhos obtidos com o real estão indo pelo ralo. O desemprego vem crescendo e a renda real caindo.

No ano passado, o PIB brasileiro cresceu apenas 1,5% e os trabalhadores perderam em média 4% em seus salários reais.

A política econômica brasileira demanda ações desenvolvimentistas urgentes. Depois da estabilidade dos preços chegou a hora de encarar os fatores limitantes do crescimento econômico. A vulnerabilidade das contas externas, a elevada dívida pública, as altas taxas de juros e a absurda carga de impostos são gargalos cuja remoção é imprescindível para a expansão da riqueza nacional.

Ao poder público cabe a implementação de mecanismos que induzam a expansão das exportações em nichos onde o País possui vantagem comparativa mais acentuada. Ações que promovam as vendas externas são fundamentais para que o Brasil diminua seu grau de dependência em relação ao capital estrangeiro.

Para superar a alta relação dívida/PIB a condição é fazer com que a economia cresça num ritmo mais acelerado que o verificado nos últimos anos. Para isso, conta muito a redução dos juros, que tanto castigam a atividade produtiva.

Estas diretrizes são pontos essenciais para que o País volte a crescer.

Há um ano, tenho colaborado, juntamente com o economista Paulo Rabello de Castro, do Instituto Atlântico, na elaboração de estudos que visam propor ações que norteiem uma nova política econômica para o Brasil durante o período de 2003 a 2006.

Os trabalhos mostram ser possível o País crescer em média 5% ao ano, com inflação de 3 a 5% e juro real entre 9 e 10%.

Quanto à questão tributária, o projeto que cria o Imposto Único Federal (PL 474/01) representa um reforma radical no atual modelo. A proposta prevê a existência de apenas um imposto sobre as transações financeiras e a extinção de 11 tributos federais.

Temos uma enorme dívida social a resgatar. As propostas que estamos delineando junto ao Instituto Tancredo Neves, do PFL, associadas ao impacto positivo que o Imposto Único Federal poderá proporcionar são ações que atendem essa necessidade.

O real foi um grande avanço, mas chegou a hora de gerar mais produção, mais empregos e mais renda. Enfim, chegou o momento de criar mais riqueza.

(*) O autor, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, 56, é doutor em Economia pela Universidade de Harvard - EUA e professor-titular e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas. É presidente estadual do Instituto Tancredo Neves e deputado federal pelo PFL/SP.

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