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Índios terena protestam contra troca de chefia

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 30 índios da aldeia de Araribá - Posto Indígena Kopenoti - fizeram um protesto, ontem, no escritório regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), localizado em Bauru, contra a troca do coordenador da aldeia. Ele foi exonerado e substituído por outra pessoa sem que a comunidade indígena fosse informada.

Os índios temem que os projetos que estão sendo desenvolvidos pelo atual coordenador da aldeia, Edenil Sebastião, mais conhecido como “Chicão”, sejam prejudicados se outra pessoa assumir o posto. Eles acham que o administrador da Funai em Bauru, Rômulo Siqueira de Sá, deveria ter convocado uma reunião com a comunidade indígena antes de tomar a decisão.

“O nosso chefe foi exonerado sem sabermos qual foi o motivo. Nós não queremos que ele saia. Se ele quiser tirar o chefe, tem que reivindicar junto à toda a comunidade. A coisa está indo bem lá na aldeia. Pode ir lá e ver o trabalho do coordenador”, enfatiza Dário Machado, um dos índios que participou do protesto.

Comunicado

Na manhã de ontem, Sebastião recebeu um ofício da Funai informando sobre sua exoneração do cargo de chefe do Posto Indígena Konepoti, que seria assumido por Mário de Camilo. O cargo administrativo de chefe de Serviço de Assistência ao Índio, ocupado por Camilo, por sua vez, seria assumido por Sebastião.

"Se eu fosse pensar em mim, eu aceitaria o cargo na Funai. Mas é difícil trocar o chefe assim. A Funai não se preocupa com os projetos que estão sendo desenvolvidos na aldeia, como parcerias com a USC (Universidade do Sagrado Coração) e com a prefeitura. Por isso, eu recusei o cargo”, expõe Sebastião.

O coordenador da aldeia, que está no cargo desde abril de 1997, afirma que o descontentamento maior refere-se à atitude do administrador da Funai. “Ele poderia ter reunido a comunidade para discutir. Ele está gerando um conflito e nós não gostaríamos que isso acontecesse. Nós o convidamos para ir até a aldeia e ele se recusou. Ele não está colaborando porque não visita as aldeias e não atende à comunidade, que aqui conta com 300 índios”, observa.

Recepção

Na parte da manhã, o primeiro grupo de terenas que chegou à sede da Funai em Bauru foi recebido por policiais. Eles teriam sido acionados pelo administrador da instituição, Rômulo Siqueira Sá, que alegou que estava sendo impedido de sair do escritório. “Por que ele está mandando prender índio?” questiona o terena Machado.

Recusando-se a conversar com os índios, Sá deixou o local pela manhã e não retornou até o final do expediente. Segundo funcionários da Funai, ele tinha uma viagem agendada.

No período da tarde, os terena que foram até o escritório da fundação para exigir explicações foram recebidos pelo indigenista Gilberto Abreu Amaral, que responde pela entidade na ausência do administrador. “A decisão foi dele (de Sá). Eu nem participei”, alegou.

Apesar da insistência dos índios, Sá não foi localizado para dar explicações. “Por que ele não está aqui para conversar? Queremos conversar, não queremos violência”, salienta Machado.

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